Cláudio Vicentino Bruno Vicentino Olhares da História Brasil e mundo



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Tratado de Petrópolis

A penetração de nordestinos em larga escala pela Amazônia os levou a ocupar regiões pertencentes à Bolívia, gerando uma crise diplomática. Para resolver a questão, o Barão do Rio Branco e autoridades bolivianas firmaram um acordo que foi assinado em Petrópolis, em 1903. Na negociação, acertou-se a posse brasileira do território do atual Acre e a cessão de um território brasileiro que facilitasse aos bolivianos o acesso a afluentes do rio Amazonas para, assim, alcançarem o Atlântico.

Fim do complemento.

Os seringueiros trabalhavam em jornadas de até 16 horas, concentradas principalmente entre maio e novembro, época de poucas chuvas. Eles coletavam o látex das árvores e, no final do dia, o defumavam, para coagulá-lo e torná-lo vendável. Esse produto final era entregue ao dono do seringal que, por sua vez, o levava a estabelecimentos comerciais localizados em Manaus e em Belém, responsáveis pela exportação. A Inglaterra era o principal destino da borracha. De lá, era distribuída para outras praças da Europa e para os Estados Unidos.

LEGENDA: Seringueiro extraindo látex em foto de 1910, aproximadamente.

FONTE: Acervo Iconographia/Reminiscências



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No auge da lucratividade, grupos estrangeiros interessaram-se pela atividade e logo se fizeram presentes no processo de extração. Como ocorria com a cafeicultura, os comerciantes adiantavam recursos aos donos dos seringais, que se comprometiam a entregar-lhes toda a produção. Os seringalistas, por sua vez, exigiam dos seringueiros elevada quantidade de látex coagulado, forçando-os a jornadas extenuantes e a relações de trabalho violentas que, muitas vezes, assemelhavam-se à escravidão.

Os donos dos seringais e empresários do comércio ficavam com a maior parte dos lucros. Viviam luxuosamente em Manaus ou Belém e atuavam como se a atividade seringalista fosse algo inextinguível, em razão, especialmente, da grandeza da floresta. Poucos esforços foram feitos nesse período para proteger a atividade da concorrência internacional. No entanto, por volta de 1913, as experiências do governo inglês de adaptar a seringueira brasileira em colônias do continente asiático começaram a se mostrar economicamente viáveis. Logo, os primeiros carregamentos de borracha provenientes de seringais asiáticos chegaram ao mercado europeu.

Aos poucos, os investidores ingleses foram abandonando as atividades no Amazonas para participar da produção no Ceilão e em Cingapura. Os holandeses logo começaram a produzir borracha nas colônias da Malásia, de Bornéu e de Java. Nestes locais, as empresas que até então se dedicavam a financiar a atividade passaram a participar também da produção, desde o cultivo até a coagulação, além de cuidarem do transporte e da comercialização na Europa e nos Estados Unidos. A produção nessas regiões logo se tornou bem mais lucrativa do que a produção no Brasil, onde predominavam técnicas primitivas e condições que impediam uma produção maior.

No começo da década de 1910, o governo federal tentou valorizar e racionalizar a produção de borracha. A iniciativa contou com o apoio de produtores e governantes dos estados do Norte. No entanto, os poucos projetos que surgiram não mobilizaram esforços financeiros suficientes para atender às necessidades de uma atividade que entrava em rápida decadência.

A importância da borracha no volume total de exportações brasileiras ajuda a entender essa situação. Entre 1890 e 1910, a borracha nunca representou mais de 28% do total de produtos exportados pelo país. No mesmo período, o café representava, em média, mais de 60%. À medida que a borracha perdia posição no mercado internacional, o café, por sua vez, atingia elevados preços graças às medidas de valorização do produto que estavam sendo adotadas. Neste cenário, as elites agrárias do Sudeste se fizeram refratárias a qualquer atividade que afetasse os ganhos e os interesses da principal economia do país.




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