Cláudio Vicentino Bruno Vicentino Olhares da História Brasil e mundo


Riqueza para ostentar e modernizar



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Riqueza para ostentar e modernizar

Durante o período em que vigorou a política de valorização do café, as importações brasileiras aumentaram consideravelmente, favorecidas pela entrada de capitais provenientes da cafeicultura e da exportação da borracha.

Desde os últimos anos da década de 1890, parte significativa das divisas foi usada não somente para pagar juros e compromissos internacionais e para importar bens de consumo, como alimentos, utensílios, tecidos, mas também para ampliar os investimentos em ferrovias, portos e em melhorias nas grandes cidades. Outro setor amplamente beneficiado pela entrada de capitais foi o industrial, que analisaremos mais à frente.

Com os lucros obtidos, no início do século XX, alguns fazendeiros construíram palacetes destinados à moradia em áreas urbanizadas, onde era possível levar uma vida social distinta dos hábitos rurais e ostentar seu poder financeiro e seu status social. Assim, a má distribuição de riqueza tornava-se visível.

Nesta mesma época, cidades como Campinas e Ribeirão Preto, próximas da próspera zona cafeeira paulista, receberam melhorias urbanísticas: grandes edifícios, teatros e mansões foram construídos, seguindo tendências arquitetônicas europeias.

Na cidade de São Paulo, por exemplo, a área mais antiga e central manteve-se como espaço destinado a serviços, bancos e comércio. Os fazendeiros se instalaram em mansões localizadas em novos bairros cortados por ruas e avenidas largas e iluminadas, longe de onde a população mais pobre vivia.

LEGENDA: Interior do Palácio da Liberdade, que já foi residência oficial e sede do governo estadual de Minas Gerais, Belo Horizonte. Destaque para a ornamentação art nouveau. Foto de 2011.

FONTE: IEPHA/MG



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Em Minas Gerais, para demarcar a era de prosperidade econômica e modernidade, a elite local determinou, em 1893, que o antigo arraial denominado Curral del Rei passaria a sediar a capital do estado. Em 1897, após quatro anos de obras, o arraial ganhou a feição de uma cidade moderna, Belo Horizonte, a primeira totalmente planejada em nosso país. A nova capital contava com edifícios públicos para sediar as repartições e ruas iluminadas com lâmpadas elétricas, sem nenhum vestígio das antigas construções. A população que habitava o arraial antes das obras ficou sem lugar nesse projeto modernizador. Acabou sendo deslocada para além dos limites que demarcavam o perímetro da nova capital, em locais sem as benfeitorias que caracterizavam os bairros recém -construídos.

A cidade do Rio de Janeiro também passou por grande transformação, principalmente na região portuária, local de entrada das mercadorias e dos visitantes. O local era ocupado por velhos casarões degradados, onde a numerosa população pobre vivia em condições sanitárias precárias. Para as autoridades, a região era uma ameaça permanente à saúde e à segurança.

O presidente Rodrigues Alves promoveu uma grande reforma, englobando o porto e seu entorno, ampliando a sua capacidade de embarque e desembarque, e transformando a região em local de passeio para as classes mais abastadas. Investiu, ainda, em uma ampla ação sanitarista a fim de livrar a cidade de focos de difteria, varíola e febre amarela.

Como resultado, os antigos casarões foram demolidos - processo conhecido como "bota-abaixo" - e a população pobre foi deslocada, sob muito protesto e resistência, pois não era indenizada nem recebia um local alternativo de moradia. Essa população acabou se instalando nas encostas dos morros no entorno da região, de forma mais precária ainda. O autoritarismo do poder público, apoiado pelas elites e intelectuais, resultou na imposição de um novo padrão urbanístico que passou a conviver com as favelas que então se formaram (você estudará sobre isso nos próximos capítulos).

LEGENDA: Início das obras para a construção da avenida Central, na cidade do Rio de Janeiro, início de 1904.

FONTE: Autoria desconhecida/Coleção particular

LEGENDA: Avenida Central em fins de 1905, na cidade do Rio de Janeiro.

FONTE: Torres/Fundação Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro, RJ.


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