Cláudio Vicentino Bruno Vicentino Olhares da História Brasil e mundo


2. Deodoro da Fonseca e a instalação da república



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2. Deodoro da Fonseca e a instalação da república

Campanhas republicanistas já se disseminavam pelo país desde a década de 1870, por iniciativa de militares, jornalistas, advogados e cafeicultores. Na década de 1880, a pressão pela abolição da escravidão, defendida por muitos republicanistas, ampliou a adesão à causa, sem, no entanto, contagiar toda a população brasileira.

Em quase todas as capitais de províncias do país, comícios, jornais e partidos faziam críticas à monarquia e ao imperador em defesa de um governo organizado a partir dos interesses da sociedade e não da família imperial e da nobreza brasileira. Porém, entre os vários grupos republicanistas, havia divergências ideológicas e também quanto à forma como a república deveria ser implantada no país.

Houve conversas entre alguns republicanistas, civis e militares em torno da ideia de depor o imperador durante a cerimônia de abertura da Assembleia Geral do Império, marcada para o dia 20 de novembro de 1889. Porém, alguns civis resolveram antecipar os acontecimentos e fizeram circular boatos de que havia uma ordem de prisão do governo contra o tenente Benjamin Constant (1836-1891) e o marechal Deodoro da Fonseca (1827-1892). Isso impulsionou Deodoro a reagir antecipadamente.

Na manhã do dia 15 de novembro, liderando aproximadamente 600 soldados, Fonseca seguiu em marcha até o quartel-general do Exército, no Campo de Santana, no Rio de Janeiro. Lá, representantes do governo imperial estavam reunidos em caráter de urgência por conta de rumores sobre uma mobilização militar contra o Império. Fonseca destituiu o visconde de Ouro Preto, chefe do gabinete de ministros. A princípio, o marechal esperava indicar nomes para um novo ministério ao imperador. Porém, a articulação de civis republicanistas, como Silva Jardim e José do Patrocínio, o convenceu de que a monarquia deveria ser abolida.

Na tarde daquele mesmo dia, sob a liderança de José do Patrocínio, o fim da monarquia e a Proclamação da República foram anunciados oficialmente na Câmara Municipal da cidade do Rio de Janeiro. À noite, foi empossado em caráter provisório o marechal Deodoro da Fonseca, liderando um grupo de sete ministros escolhidos entre militares e civis.

Nenhuma reação imediata em defesa da monarquia foi notada ao longo daquele dia. Segundo um republicanista, também não houve apoio na forma de participação popular.

[...]


Eu quisera poder dar a esta data a denominação seguinte: 15 de Novembro, primeiro ano de República; mas não posso infelizmente fazê-lo. O que se fez é um degrau, talvez nem tanto, para o advento da grande era. [...]

Por ora, a cor do Governo é puramente militar, e deverá ser assim. O fato foi deles, deles só, porque a colaboração do elemento civil foi quase nula. O povo assistiu àquilo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava. Muitos acreditaram seriamente estar vendo uma parada. [...]

LOBO, Aristides. Acontecimento único. Diário Popular, São Paulo, 18 nov. 1889. Apud CARONE, Edgard. A Primeira República: texto e contexto. Rio de Janeiro, Difel, 1969. p. 288-289.

LEGENDA: Reprodução da capa do jornal carioca Correio do Povo com manchete anunciando a Proclamação da República. Quem são os personagens enaltecidos pela publicação? Atenção: as palavras estão grafadas conforme as regras ortográficas vigentes na época de publicação.

FONTE: Acervo Iconographia/Reminiscências


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