Cláudio Vicentino Bruno Vicentino Olhares da História Brasil e mundo



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Para o Capítulo 4

1 Leia o texto a seguir. Depois, utilizando seus conhecimentos de Biologia e História, responda às questões.

Nas décadas iniciais do século XX, o Rio de Janeiro mobilizou um movimento sanitarista com médicos e engenheiros em ações de saneamento, na profilaxia de ambientes e doenças infectocontagiosas, vacinação pública e educação higiênica. Discursos científicos, médicos e jurídicos contribuíam para o propósito de uma "sociedade saudável", concorrendo para que pobres e negros fossem considerados perigosos porque ofereciam o perigo de contágio.

As ações sanitárias contribuíam para desenhar uma nova configuração urbana, inscrevendo-se assim a regulação sanitária como mais um campo de poder de produção territorial. Ao delimitar os territórios da ação profilática, a medicina positivista vigente, científica e técnica, não fez levar em conta o homem social e suas formas geográficas de existência e vivência, agindo em manifesto desrespeito aos espaços em que as pessoas viviam e se realizavam, como os cortiços e as favelas.

[...] Além disso, os desafios políticos e intelectuais da construção da nação e da identidade nacional após a abolição dos escravos e o advento da República fez colocar as doenças da população negra na agenda científica e política da época.

GONÇALVES, Edvaldo Sapia. Higienismo e literatura: uma reflexão sobre a violência médica na Primeira República a partir de João do Rio. Anais do V Congresso Internacional de História. Maringá, UEM, 2013. p. 4.

a) O que é profilaxia? Cite duas medidas de profilaxia (uma de ambiente, outra de doença infectocontagiosa) adotadas no Rio de Janeiro da Primeira República.

Profilaxia é o conjunto de procedimentos e recursos utilizados para prevenir doenças. Medidas de profilaxia de ambiente adotadas no Rio de Janeiro durante a Primeira República: criação de rede de esgotos, abertura de ruas amplas (com arejamento e iluminação), demolição de construções consideradas insalubres. Medidas de profilaxia de doença infectocontagiosa adotadas no Rio de Janeiro da Primeira República: vacinação obrigatória, educação higiênica.

b) Qual a crítica feita pelo autor do texto às práticas sanitaristas do início do século XX no Rio de Janeiro?

O autor critica o emprego de um movimento sanitarista para a legitimação de intervenções nos espaços da cidade, desrespeitando os lugares em que a população mais pobre morava (cortiços, favelas, etc.). Também critica o direcionamento das ações profiláticas para a população pobre e negra, que no pós-abolição era identificada como a fonte de perigo.

c) Sua cidade enfrenta ou enfrentou recentemente algum tipo de epidemia? Em caso positivo, quais foram as medidas profiláticas adotadas? Tais medidas reforçaram algum tipo de preconceito contra parcelas da população?

Resposta pessoal. As epidemias têm sido recorrentes nos centros urbanos brasileiros nos últimos anos. Entre as mais recentes, destacam-se a dengue, a febre zika, a febre amarela, a gripe provocada pelo H1N1. Em geral, a profilaxia dessas doenças não reforça preconceitos, pois seu contágio é feito pelo ar ou por vetores, como os mosquitos, que circulam por todos os espaços. Vale lembrar, contudo, que há pouco tempo, doenças como a Aids ajudaram a reforçar preconceitos contra certas parcelas da população, ao estigmatizar os chamados "grupos de risco" como usuários de drogas injetáveis e homossexuais. Essa atividade pode ser realizada de modo interdisciplinar com Biologia, uma vez que os alunos vão mobilizar conhecimentos adquiridos nos estudos dessa disciplina e relacioná-los com sua realidade e com o tema histórico em questão neste capítulo.

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d) As campanhas profiláticas contra epidemias geralmente focam sua ação na educação higiênica, transferindo para a população o papel principal no combate às doenças. Por que tais campanhas são geralmente insuficientes?

Essas medidas não são suficientes porque sem saneamento básico e intervenções urbanas planejadas pelo governo para evitar acúmulo de lixo, terrenos baldios, proliferação de insetos e outros vetores de doenças não há como conter o avanço das epidemias.

2 Leia o fragmento publicado na revista Illustração Brasileira em 1910 e observe a charge a seguir.

Pouco importa que as causas, indicadas agora, fossem justas, fossem reclamações contra castigos bárbaros e ilegais, fosse o excesso de trabalho ou a má qualidade da alimentação. Fosse qual fosse a justiça de suas reclamações eles não deviam esquecer que, humilhando as mais altas autoridades do país, forçando-as a capitular diante da força bruta e terrível, colocavam o nome do Brasil, do país inteiro à mercê de comentários desagradáveis. É isso que os espíritos mais ciosos pelo brio nacional não podem perdoar aos marinheiros.



Illustração Brasileira. Rio de Janeiro, n. 37, 1º dez. 1910. p. 176.

LEGENDA: Charge publicada na revista carioca Careta, em dezembro de 1910.

FONTE: Revista Careta/ Fundação Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro.

Agora, faça o que se pede:

a) Os dois documentos fazem alusão a uma revolta ocorrida durante a Primeira República. Que revolta é essa?

A Revolta da Chibata.

b) Qual o julgamento do articulista da revista Illustração Brasileira sobre essa revolta?

Ele discorda dos métodos adotados, que "humilharam" o governo brasileiro e o colocaram "à mercê de comentários desagradáveis", por mais justas que fossem as reivindicações dos marinheiros.

c) A qual anistia se refere a charge?

À anistia dos marinheiros revoltosos, exigência feita pelos rebeldes para o cessar-fogo da revolta.

d) A charge reforça ou contradiz a posição do articulista? Justifique sua resposta.

A charge publicada na revista Careta reforça a posição do articulista da Illustração Brasileira, pois afirma que a anistia significou a "chibata de nossa alma", imagem que pode ser associada à ideia de humilhação.

e) Em que medida os discursos veiculados na imprensa da época legitimaram o desfecho da revolta em questão?

Ao associar a rendição do governo a uma "humilhação", esses discursos legitimam a atitude do governo, que, depois de acordar a anistia com os revoltosos, revogou sua promessa, de modo a vingar a humilhação sofrida.




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