Cláudio Vicentino Bruno Vicentino Olhares da História Brasil e mundo


Os tratados de paz: sementes de uma nova guerra



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Os tratados de paz: sementes de uma nova guerra

Com o fim das operações militares, os vitoriosos reuniram-se em 1919 no Palácio de Versalhes, nos arredores de Paris, para as decisões do pós-guerra. O encontro foi dirigido pelo presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson, e os chanceleres David Lloyd George (1863-1945), da Inglaterra, e Georges Clemenceau (1841-1929), da França.

O presidente estadunidense propôs um plano que foi inviabilizado por diversos acordos paralelos e, principalmente, por pressão da França e da Inglaterra. As conversações resultaram no Tratado de Versalhes, que considerou a Alemanha culpada pela guerra e criou uma série de determinações que visavam enfraquecê-la e desmilitarizá-la.

Esse tratado estabeleceu a devolução da Alsácia-Lorena à França e o acesso da Polônia ao mar por uma faixa de terra que atravessava a Alemanha e desembocava no porto livre de Dantzig, o "corredor polonês". O governo da Alemanha perdeu todas as suas colônias ultramarinas e parte de seu território europeu. Perdeu também a artilharia e a aviação; passou a ter um exército limitado a 100 mil homens e ficou proibido de construir navios de guerra. Foi ainda obrigado a indenizar as potências aliadas pelos danos causados, em um total aproximado de 30 bilhões de dólares, valor que foi renegociado na década de 1920 até ser extinto em 1932. O Tratado de Versalhes também oficializou a criação da Liga das Nações, um fórum internacional que pretendia garantir a paz mundial. Essa pretensão, porém, não se concretizou, pois a liga não contou no início com a participação dos governos da Alemanha e da Rússia nem do próprio país que a idealizara e que se transformara na maior potência mundial: os Estados Unidos. Por discordar de muitas das decisões de Versalhes, o governo estadunidense preferiu assinar um acordo de paz com o governo alemão em separado.

Também em 1919, o Império Austro-Húngaro foi desmembrado pelo Tratado de Saint Germain. O governo da Áustria perdeu a saída para o mar e foi obrigado a reconhecer a independência da Polônia, da Tchecoslováquia e da Hungria e a criação do Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos (que, em 1929, adotaria o nome de Iugoslávia), perdendo, assim, a maior parte de seu território. Com a Hungria foi assinado o Tratado de Trianon e com a Bulgária, o Tratado de Neuilly.

LEGENDA: Uma grande multidão estava presente no Salão dos Espelhos do Palácio de Versalhes, França, durante a assinatura do tratado de paz, em 28 de junho de 1919.

FONTE: Lt. M. S. Lentz/Corbis/Latinstock

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Desse modo, os tratados assinados entre 1919 e 1921 selaram a desintegração territorial dos impérios Austro-Húngaro e Turco Otomano (Tratado de Sèvres, depois reformado pelo Tratado de Lausanne). Quanto ao Império Alemão, seria extinto por uma revolução em novembro de 1918.

Os tratados que puseram fim à guerra determinaram também o início da consolidação da independência de novos Estados, cujas soberanias foram ratificadas pelas populações envolvidas por meio de plebiscitos. Tais países, quase todos situados na península Balcânica e constituídos de etnias eslavas, passaram a integrar as novas áreas de atuação dos interesses das potências vencedoras.

Somado ao fato de que essas potências conseguiram manter praticamente intactas suas possessões na África e na Ásia, verificou-se, na década de 1920, o fortalecimento da supremacia econômica e financeira dos Estados Unidos, seguidos de perto pela Inglaterra e França. Vinte anos mais tarde, essa supremacia seria contestada pelo revanchismo alemão, que não havia morrido em Versalhes nem nos acordos posteriores.

LEGENDA: Nesta caricatura de E. Schilling, de 1919, as determinações de Versalhes são representadas como um fardo pesado para o povo alemão.

FONTE: Reprodução/Coleção particular




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