Cláudio Vicentino Bruno Vicentino Olhares da História Brasil e mundo



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5. Ênfase na inclusão social

A eleição de um ex-operário causava certa expectativa nos diversos segmentos da sociedade brasileira. O candidato Luiz Inácio Lula da Silva chegou ao poder após vencer o segundo turno das eleições presidenciais de 2002, com 61,4% dos votos válidos. Em segundo lugar ficou o candidato do PSDB, José Serra, que acumulou 38,6% dos votos.

Quatro anos depois, em campanha para a reeleição, um novo embate com um candidato do PSDB também resultou em sua vitória. Nas duas eleições seguintes, em 2010 e 2014, Dilma Rousseff, ex-chefe da Casa Civil e Ministra das Minas e Energia do governo Lula, venceu as eleições presidenciais, também pelo PT. Assim, desde 2003, o país passou a ser governado de forma a associar a estabilidade econômica com diminuição das desigualdades sociais. Entre as medidas adotadas, destacam-se:

- transferência de renda aos setores menos favorecidos da população;

- valorização do salário mínimo;

- manutenção de condições favoráveis ao mercado interno de trabalho;

- expansão da oferta de crédito para a população.

A transferência de renda foi feita por meio da ampliação de programas sociais implantados no governo de Fernando Henrique Cardoso e unificados sob o nome Bolsa Família. O funcionamento permaneceu o mesmo: pagamento mensal em dinheiro às famílias cuja renda mensal não atingisse um patamar mínimo estabelecido. Como contrapartida, exigia-se o comprometimento com algumas obrigações, como a manutenção dos filhos na escola e o cumprimento do calendário de vacinação.

O salário mínimo, parâmetro adotado em negociações de aumento salarial na iniciativa privada, passou a ser corrigido anualmente, a partir de 2006, com base na taxa de inflação e no crescimento do PIB dos anos anteriores. Com essa fórmula estabelecida, a correção deixou de ser um índice controlado pelo governo, passível de pressão da sociedade, como se dava até então.

Também fazia parte das iniciativas governamentais a ampliação do número de trabalhadores com carteira assinada e a diminuição do trabalho informal. Buscava-se, dessa forma, ampliar o número de pessoas com direitos



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trabalhistas assegurados (como férias, aposentadoria, seguro-desemprego, assistência, recolhimento de Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS), ao mesmo tempo que se ampliava o número de contribuintes para o sistema de previdência social.

LEGENDA: As mulheres são titulares do cartão que permite o saque do benefício do Bolsa Família na maioria dos casos. Isso garante a autonomia de muitas delas e permite melhorar as condições de vida de seus filhos. Na imagem, beneficiárias fazem fila para sacar a remuneração mensal em uma agência bancária em Salvador (BA), após boatos sobre o cancelamento do programa.

FONTE: Mila Cordeiro/Agência A Tarde/Agência Estado

A expansão do crédito à população, por sua vez, ocorreu em diferentes frentes, privilegiando o acesso a direitos básicos, como o de aquisição da casa própria e o custeio de curso universitário com juros subsidiados e longos prazos para se saldar a dívida. Com um cenário favorável de crescimento, queda da taxa de desemprego e aumento do valor da renda, os bancos privados passaram a oferecer maior volume de crédito pessoal para o financiamento de bens, como roupas, alimentos, automóveis, eletrodomésticos, eletrônicos e viagens. No conjunto, o consumo interno pelas camadas populares aumentou e a atividade econômica do país se manteve dinâmica.

Em 2008, a falência de um importante banco estadunidense deu início a uma crise financeira internacional, cujos efeitos foram sentidos não somente nos Estados Unidos, mas também na Europa. A comunidade internacional temia o início de uma fase de depressão econômica mundial semelhante à crise que ocorreu após a quebra da Bolsa de Nova York, em 1929.

No Brasil, no entanto, uma série de fatores colaborou para que os impactos fossem menores, apesar da imediata diminuição da atividade produtiva. Entre eles estavam uma situação financeira bastante favorável, fruto de um processo de acumulação de divisas e uma reação imediata do governo brasileiro pautada na intensificação do incentivo ao consumo e na diminuição dos juros básicos para as operações financeiras. Outro aspecto favorável foi o fato de a China, um dos principais compradores de produtos brasileiros na época, ter sido pouco afetada pela crise, mantendo, assim, suas importações. Em 2010, o PIB brasileiro teve um crescimento de 7,5%, um dos maiores índices do mundo, após um recuo registrado no ano anterior. No mesmo período, a taxa de desemprego diminuiu, chegando a atingir 8% da população ativa em 2010.

LEGENDA: Em 2010 e, depois, em 2014, Dilma Rousseff venceu as eleições presidenciais. Na imagem, Dilma Rousseff, acompanhada do vice-presidente, Michel Temer, encontra o ex-presidente Lula, no alto da rampa do Palácio do Planalto, na cerimônia de posse da presidente, em 1º de janeiro de 2011.

FONTE: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

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Ao longo dos oito anos do governo Lula, os resultados econômicos e sociais foram satisfatórios, revelando, inclusive, uma melhora nas condições socioeconômicas. Resultados como esses, porém, não foram obtidos durante a gestão de Dilma Rousseff, sua sucessora.

Eleita sob forte clima de otimismo, Rousseff teve que administrar os índices de inflação, a taxa de juros e a carga tributária para manter a atividade produtiva, os investimentos e a taxa de emprego em níveis satisfatórios. Sendo o país dependente do mercado internacional, a queda dos níveis de exportação afetou o desempenho da economia. Diante disso, e também para tentar combater a inflação, a partir de 2012 o governo promoveu a redução de parte dos impostos. Se, por um lado, a atividade exportadora voltou a crescer, por outro, a diminuição da arrecadação passou a afetar os investimentos públicos em áreas sociais e na infraestrutura. A médio prazo, os gastos governamentais ficaram maiores do que se arrecadava, levando a sérios problemas financeiros.


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