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Do Plano Collor ao Plano Real: ingresso no mundo globalizado



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4. Do Plano Collor ao Plano Real: ingresso no mundo globalizado

No dia da posse de Fernando Collor de Mello, outro plano econômico de grande impacto na sociedade brasileira foi anunciado.

O Plano Collor, como ficou conhecido, seguia os mesmos princípios do Plano Cruzado: adotava medidas destinadas a conter a inflação, como a mudança da moeda e o congelamento de preços e de salários. De certa forma, tais medidas eram semelhantes às dos planos anteriores. Entretanto, para tentar evitar os problemas que ocorreram com o Plano Cruzado, o novo plano retirou 80% do dinheiro em circulação no país. Para isso, o governo bloqueou parte dos depósitos em contas-correntes, cadernetas de poupança e aplicações financeiras de todos os brasileiros, com a promessa de devolver esse dinheiro em 18 meses, devidamente corrigido.

A retenção do dinheiro foi implantada sem aviso prévio à população, durante um feriado bancário, e teve impacto negativo sobre a economia, afetando trabalhadores, aposentados e empresários.

Nos meses seguintes, muitas empresas de pequeno e médio porte faliram, aumentando o número de desempregados. Além disso, o país perdeu sua capacidade de poupar, uma vez que os instrumentos de aplicação

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financeira e poupança perderam credibilidade. Projetos pessoais, como a compra de um imóvel, a reforma de uma casa ou a abertura de novas lojas, foram abandonados. Criticado pela sociedade, o confisco foi abolido aos poucos, mostrando a ausência de planejamento adequado e procedimentos duvidosos, como o atendimento de alguns setores do empresariado, principalmente os que mais pressionavam o governo para que fossem liberados os valores retidos. Isso ampliou a desconfiança no governo, visto como comprometido com favorecimentos.

LEGENDA: Entre 1942 e 1986, o cruzeiro vigorou como moeda nacional no Brasil, tendo havido, neste período, apenas correções referentes aos centavos, sem alterar o nome da moeda. Em compensação, o surto inflacionário na década de 1980 levou à decretação de vários planos e a três alterações da moeda, gerando confusão nos registros de documentos. Repare no apelo deste cartaz de um supermercado de São Paulo, em março de 1990, dias depois do anúncio da introdução do cruzeiro em substituição ao cruzado novo.

FONTE: Elena Vetorazzo/Folhapress

Collor de Mello ainda implementou o processo de transformação do modelo de desenvolvimento implantado na Era Vargas, sob a promessa de modernização do Brasil, por meio da diminuição do papel do Estado nas atividades produtivas e na regulação do mercado.

Sob pressão de órgãos de financiamento internacionais, como o FMI e o Banco Mundial, o governo passou a seguir o pensamento neoliberal, também adotado por países vizinhos da América Latina em condições econômicas parecidas, dando início a um processo de redução da participação do Estado e de abertura do país para produtos e capitais estrangeiros. Foram implantadas medidas que visavam à privatização de empresas estatais, à diminuição da burocracia para a abertura de novos negócios e à redução de tarifas de importação, além de mudanças para atrair o investimento estrangeiro.

O governo Collor de Mello tornava-se cada vez mais impopular, devido à elevação do custo de vida e à desorganização da máquina administrativa e da economia brasileira. A liberação de produtos importados, por exemplo, não foi planejada em conjunto com os empresários para que fosse gradativa, de forma a garantir a modernização da indústria nacional, tecnologicamente defasada quando comparada com os concorrentes estrangeiros da época.

Até então muitos empresários brasileiros estavam acostumados com as políticas públicas que os protegiam da concorrência e lhes ofereciam subsídios para diminuir suas despesas. Após essas novas medidas adotadas pelo governo brasileiro, os empresários se viram em um cenário competitivo sem estarem preparados para isso.

A concorrência com produtos mais baratos desestimulou a produção nacional, transformando muitos industriais em empresas de importação. Isso afetou a cadeia produtiva e provocou a demissão de trabalhadores.

Para evitar um quadro de recessão e desemprego, o governo Collor de Mello alterou a equipe econômica e lançou novas medidas de congelamento de preços e salários, além de ajustes econômicos e fiscais. No entanto, essas medidas não tiveram o resultado esperado.

A insatisfação popular e as críticas feitas à economia por vários setores da sociedade levaram o governo Collor de Mello a perder apoio político. Somaram-se a isso graves denúncias de corrupção envolvendo o presidente e o tesoureiro da campanha presidencial, Paulo César Farias (1945-1996), motivando uma mobilização popular contra o governo. Após a apuração das denúncias pelo Congresso Nacional, Fernando Collor foi afastado do governo em dezembro daquele ano e substituído pelo vice-presidente Itamar Franco, que cumpriu o restante do mandato, governando até 1995.

LEGENDA: Trabalhadores da indústria automotiva de São Bernardo do Campo (SP) ocupam rodovia de acesso à região, em abril de 1992. No protesto, eles se manifestaram contra o aumento do preço dos carros determinado pelos empresários do setor. A medida, na época, colocava em risco o volume de vendas e, em decorrência, a estabilidade de emprego desses trabalhadores.

FONTE: Leonardo Castro/Folhapress


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