Cláudio Vicentino Bruno Vicentino Olhares da História Brasil e mundo


Além disso, empresários do setor produtivo e do comércio passaram a cobrar um ágio



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Além disso, empresários do setor produtivo e do comércio passaram a cobrar um ágio sobre o preço divulgado pelas tabelas do governo, na tentativa de compensar perdas e manter os lucros em um nível satisfatório. Porém, isso favoreceu o retorno da inflação.

Glossário:

ágio: no comércio, valor cobrado a mais sobre o preço já conhecido.

Fim do glossário.

Para evitar o aumento ilegal de preços, o governo conclamou a população a fiscalizar os estabelecimentos comerciais. Lojas e supermercados que não praticassem os preços tabelados deveriam ser denunciados aos órgãos fiscalizadores. Os proprietários que não cumprissem os preços da tabela poderiam ser presos. Surgiam assim os fiscais do Sarney, termo que se popularizou em bótons e adesivos. Muitas pessoas mostravam-se orgulhosas em exercer essa função e se sentiam responsáveis pelo combate à inflação.

O governo decidiu adiar os ajustes necessários ao Plano Cruzado para depois das eleições para governadores e constituintes, ocorridas em novembro de 1986. Isso favoreceu os partidos da base do governo, o PMDB e o PFL, que conseguiram eleger muitos de seus candidatos. Dias depois das eleições, o governo implementou as medidas que haviam sido adiadas: aumentou as tarifas de serviços das empresas estatais e descongelou os preços. No início do ano seguinte, decretou a suspensão do pagamento da dívida externa. Em 1987, a inflação voltou aos índices anteriores ao Plano Cruzado, o que resultou na demissão da equipe econômica, liderada por Dílson Funaro, ministro da Fazenda.

O governo de José Sarney promoveu ainda mais dois planos de ajustes da economia. No entanto, nenhum deles conseguiu controlar a inflação e recompor as reservas cambiais de forma que o país pudesse renegociar a dívida externa e voltar a cumprir seus compromissos. Esses fatores levaram a uma drástica diminuição de investimentos estrangeiros.

Com tal quadro, os últimos anos do governo Sarney foram bastante impopulares. Enquanto diversos setores sociais se mobilizavam para apresentar propostas de emendas à Constituição que tinha começado a ser elaborada, greves de diversas categorias de trabalhadores foram organizadas em todo o território. Os índices registraram 1 038% de inflação em 1988 e 1 789% em 1989.

Em meio a tantas dificuldades, em 1989 o Brasil era apontado como o sexto país mais desnutrido do mundo, segundo pesquisas realizadas pela Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP). Nessa época, diversos programas sociais federais voltados para a distribuição de leite e comida para crianças, gestantes e trabalhadores já tinham sido implantados. No entanto, essas iniciativas, administradas por prefeituras e associações civis em todo o país, tinham seus recursos desviados. Esses produtos também eram distribuídos para fins eleitorais, sem alcançar toda a população carente e dificultando o real enfrentamento da desnutrição.

LEGENDA: Em todo o Brasil, consumidores munidos com tabelas de preços da Superintendência Nacional de Abastecimento e Preços (Sunab), órgão fiscalizador do governo, agiam como se tivessem poder de polícia, muitas vezes diante das câmeras de televisão, caso um gerente comercial fosse surpreendido remarcando preços. Foto de 1986, Rio de Janeiro (RJ).

FONTE: Marco Antonio Cavalcante/Agência Jornal do Brasil

Ao longo de todo o governo de José Sarney, houve denúncias de corrupção envolvendo membros dos ministérios e dos partidos que compunham a base do governo. No entanto, em decorrência da pressão feita por membros desses partidos, as investigações não foram realizadas pelo Congresso nem pelos órgãos policiais e de fiscalização.

As eleições para prefeito realizadas em 1988 mostraram a insatisfação da população com o governo de José Sarney. Os candidatos ligados aos partidos de oposição à Nova República, como PT, PDT, PSB e o recém-criado Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), cujos fundadores haviam saído do PMDB, venceram as eleições em dez das principais capitais do país.

Por sua vez, o PMDB, que em 1985 havia vencido em dezenove capitais, nessa eleição conseguiu eleger prefeitos em apenas quatro, mesmo número que o PFL.




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