Cláudio Vicentino Bruno Vicentino Olhares da História Brasil e mundo


Norte e Sul: desigualdades e meio ambiente



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Norte e Sul: desigualdades e meio ambiente

A globalização e suas políticas neoliberais, ao mesmo tempo que motivaram surtos de otimismo em alguns setores da sociedade, também atraíram críticas quanto a seus efeitos sociais e sobre o meio ambiente. Entre os aspectos mais criticados está o agravamento das desigualdades econômicas e sociais em todo o mundo. Essa desigualdade não se restringe às áreas periféricas dos centros dinâmicos capitalistas, mas se estende até mesmo aos países centrais. Estes têm registrado números significativos de bolsões de pobreza, seja nos Estados Unidos, seja na Europa.

Para o conjunto mundial, os Relatórios da Riqueza Global (Global Wealth Report) do banco Credit Suisse, publicados em 2010 e em 2015, apontam: em 2010, os 50% mais pobres dos 4,4 bilhões de adultos possuíam pouco menos que 2% dos ativos mundiais (estimados em 194,5 trilhões de dólares). Em 2015, essa metade mais pobre da população mundial ficou com menos de 1% da riqueza planetária (estimada em 250,1 trilhões de dólares). No extremo oposto da pirâmide social, em 2010 os 10% mais ricos detinham 83% da riqueza mundial e em 2015 passaram a possuir 87,7%1.

1 COSTA. Antonio Luiz M.C. No mundo de os miseráveis. Carta Capital, Ano XXI, nº 873, 28 out. 2015. p. 24-25.

Nesse quadro de desigualdades e dificuldades crescentes, muitas vezes agravadas pela violência das guerras, os movimentos migratórios tiveram um forte impulso. Foi o caso dos migrantes africanos, sírios e de várias outras regiões em direção à Europa. Em 2015 foram mais de 130 mil buscando entrar no velho continente e somente nos dois primeiros meses de 2016 mais de 120 mil. A intensidade dos fluxos migratórios desdobrou-se em diversos impasses, desde humanitários de acolhida aos imigrantes até os econômicos e políticos entre os governantes europeus.

Quanto a ter ou não emprego, outro agravante importante na questão social, as estimativas aponta m que o número final de desempregados em 2015 foi de 197,1 milhões, um volume superior em 27 milhões àquele de 2007, ano da pré-crise mundial.

LEGENDA: Sírios em campo de refugiados entre a Jordânia e a Síria esperam autorização para entrar no território jordaniano. Depois de meses presos na fronteira, o grupo foi finalmente autorizado a entrar no país. Autoridades jordanianas alegaram que foi necessário adotar novas medidas de segurança antes de permitir que mais refugiados entrassem no país, que já contava, naquela época, com mais de 1,4 milhão de refugiados. Foto de 2016.

FONTE: Muhammad Hamed/Reuters/Latinstock

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A previsão para 2016 é um aumento de cerca de 2,3 milhões, o que elevaria o número a 199,4 milhões. Já para 2017, mais 1,1 milhão de desempregados provavelmente serão adicionados ao registro global, de acordo com um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT)2.



2 Dados disponíveis em: www.ilo.org/brasilia/noticias/WCMS_444594/lang-pt/index.htm. Acesso em: 18 mar. 2016.

Os Estados não estão conseguindo exercer a função de garantir o bem-estar da população nem agir para atenuar as diferenças sociais, mostrando-se impotentes em barrar a piora da situação.

Contudo, nos últimos anos vários governantes buscaram combinar as políticas neoliberais com uma melhor distribuição da renda, temperando medidas que, se não reverteram por completo as desigualdades sociais, conseguiram melhorar o desenvolvimento econômico e a inclusão social, fazendo despencar as taxas de pobreza e miséria. Exemplos disso são alguns países do Brics e da América Latina. Outro exemplo da reversão, segundo o Banco Mundial, foi o indicador sobre o total da população que vivia com renda diária individual inferior a 1,25 dólar (o novo método para definir a linha de pobreza), o qual chegou a 1,39 bilhão de pessoas em 2005, 25% da população mundial, caindo para 1,29 bilhão em 2008. O principal responsável por essa diminuição foi a China, país que faz parte do Brics. Mesmo assim, segundo a OIT:

[...] Embora tenha havido uma diminuição nas taxas de pobreza, a taxa de declínio do número de trabalhadores pobres nas economias em desenvolvimento desacelerou e o emprego vulnerável ainda responde por mais de 46 por cento do emprego total no mundo, afetando quase 1,5 bilhão de pessoas. O emprego vulnerável é particularmente alto nos países emergentes e em desenvolvimento, atingindo entre metade e três quartos da população empregada nesses grupos de países, respectivamente, com picos no sul da Ásia (74 por cento) e na África Subsaariana (70 por cento).

OIT: Desemprego global projetado para aumentar em 2016 e 2017. Disponível em: www.ilo.org/brasilia/noticias/WCMS_444594/lang-pt/index.htm. Acesso em: 18 mar. 2016.

Outro desafio que tem causado preocupação relaciona-se ao agravamento dos problemas ambientais e ao aproveitamento dos recursos naturais, que parecem incompatíveis com o crescimento econômico mundial.

LEGENDA: Mulher pede esmola ao lado de loja de luxo no centro de Madri, Espanha. Foto de 2015.

FONTE: Andrea Comas/Reuters/Latinstock



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Um possível controle do problema exigiria uma atuação planetária, porém prevalece uma insistente ausência de regras efetivas e falta de ação coordenada de órgãos internacionais.

Mesmo na Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas - chamada de COP 21, realizada em Paris, em dezembro de 2015, não se mostrou detalhadamente como alcançar as metas estabelecidas. Com destaque, na Conferência foi firmado um acordo entre seus 195 países para limitar o aquecimento máximo do planeta a bem menos de 2ºC centígrados de temperatura média, com esforços para chegar a no máximo 1,5 grau Celsius.

Não são poucos os estudiosos que insistem na não sustentabilidade do meio ambiente perante a dinâmica de nossa sociedade consumista. Um exemplo contundente são as mudanças climáticas como decorrência principalmente da queima de florestas e da utilização indiscriminada de combustíveis fósseis. Estima-se que a elevação da temperatura do planeta neste século, em razão do efeito estufa advindo principalmente da emissão de poluentes, será de 1,4 a 5,8 graus centígrados, ampliando o número e a dimensão de furacões, inundações e secas, provocando o degelo dos polos, a elevação dos oceanos e o desaparecimento de diversas ilhas e regiões costeiras. Segundo Nicolas Stern, ex-economista-chefe do Banco Mundial, as mudanças climáticas poderão resultar numa recessão econômica mundial jamais vista, com uma perda de cerca de 20 % do Produto Bruto Mundial.

Como destaca o jornalista Washington Novaes:

[...] O Japão já consome 7,1 vezes mais que os recursos disponíveis em seu território, a Grã-Bretanha, 3,5 vezes, e os Estados Unidos, 1,9. O Brasil, embora use menos recursos do que sua disponibilidade interna, consome mais que a média global disponível. Em 2050, afirma estudo da Global Footprint Network, "o mundo precisará de recursos equivalentes ao dobro dos disponíveis na Terra. (...) Porque "o crescimento infinito é ilusão". Bem na linha que se propaga entre economistas de que já vivemos uma "crise de finitude de recursos-, com o consumo global maior que a reposição. E crescerá ainda mais, com a população mundial - hoje pouco acima de 7 bilhões de pessoas e um acréscimo de 80 milhões por ano - chegando a mais de 9 bilhões em 2050.

Avanços em conceitos e recuos nas práticas. Instituto Humanistas Unisinos. Disponível em: www.ihu.unisinos.br/noticias/523235-avancos-em-conceitos-e-recuos-nas-praticas-artigo-de-washington-novaes. Acesso em: 11 abr. 2016.

Essas são questões que escapam às tradicionais divisões ideológicas, já que nem o capitalismo nem o socialismo se mostraram capazes de criar padrões de produção e consumo sustentáveis, e matrizes energéticas compatíveis com as necessidades e possibilidades do planeta.

LEGENDA: Poluição lançada por uma grande usina, em Xangai, China, em 28 de janeiro de 2010. Os impactos causados pela poluição têm desencadeado sucessivos protestos na China.

FONTE: Oilai Shen/Epa/Corbis/Latinstock




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