Cláudio Vicentino Bruno Vicentino Olhares da História Brasil e mundo



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Argentina

País que já desfrutou da condição de nação desenvolvida nas primeiras décadas do século XX, a Argentina perdeu pouco a pouco esse status e, durante a segunda metade do século, tornou-se exemplo de instabilidade política e de crescentes dificuldades.

Em 1943, um golpe militar derrubou o governo conservador de Ramón Castillo (1873-1944) e colocou no poder uma junta governativa, da qual era ministro do Trabalho o coronel Juan Domingo Perón (1895-1974). Nessa função, Perón ligou-se ao movimento sindical e passou a adotar medidas que beneficiavam os trabalhadores. Essas atuações, contudo, encontraram forte resistência entre os empresários, que passaram a pressionar o governo militar pela demissão de Perón. No começo de outubro de 1945, Perón foi demitido e preso, mas no dia 17, centenas de milhares de trabalhadores saíram às ruas de Buenos Aires, exigindo sua libertação. Temendo uma rebelião popular, o governo cedeu e libertou o coronel, mais tarde promovido a general.

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LEGENDA: O presidente Juan Perón e sua esposa Eva na sacada da Casa Rosada, sede do governo, em Buenos Aires, em foto de 1950.

FONTE: Associated Press/Glow Images

No ano seguinte, Perón foi eleito presidente da República e aprofundou sua política de benefícios aos trabalhadores. Reeleito em 1952, foi deposto por um golpe militar em 1955, curiosamente apoiado pelos Estados Unidos e pelo Partido Comunista, para o qual Perón não passava de um fascista. Uma vez fora do poder, Perón exilou-se na Espanha.

Apesar de afastado da Argentina, Perón manteve intacta sua popularidade e tornou-se um verdadeiro mito entre os trabalhadores. Dessa forma, após um período no qual se sucederam governos democráticos e golpes de Estado, Perón retornou a Buenos Aires em 1973, ano no qual foi reeleito para a presidência da República. De idade avançada, faleceu no ano seguinte e foi sucedido por sua terceira esposa, a vice-presidente Isabel Perón (Isabelita). Um novo golpe militar depôs Isabelita em 1976, iniciando uma violenta ditadura militar repressiva, marcada por sequestros de opositores, torturas, assassinatos e raptos de filhos de jovens ativistas políticos torturados e mortos. Estima-se em cerca de 30 mil o número de desaparecidos políticos no país.

Foi só com o fracasso na Guerra das Malvinas (1982), contra a Inglaterra, que detém até hoje a posse desse território reivindicado pela Argentina no Atlântico Sul e chamada pelos ingleses de Falklands, que a ditadura militar ruiu, devolvendo o governo aos civis. A redemocratização do país foi efetivada com a eleição de Raul Alfonsin (1983-1989), da União Cívica Radical (UCR), cujo governo não conseguiu conter a crescente crise financeira e inflacionária. Em 1989, foi eleito seu sucessor, o peronista Carlos Menem, que implementou um plano econômico emergencial em 1991. Foi estabelecida a paridade do peso com o dólar, atrelando a moeda nacional à moeda estadunidense, ao mesmo tempo que se adotou uma ampla política de privatizações de empresas estatais, em obediência aos princípios neoliberais em voga nos anos 1990. Com essa política, Menem se reelegeu em 1995.

Nas eleições presidenciais de 1999, o candidato de oposição Fernando De la Rúa, da UCR, venceu o candidato apoiado por Menem. Como novo presidente, De la Rúa adotou várias medidas de austeridade, afetando ainda mais o emprego e ampliando as dificuldades sociais.

Manifestações de protesto, saques e descontrole administrativo e financeiro aprofundaram a crise, levando De la Rúa a renunciar à Presidência em dezembro de 2001. Após sucessivas renúncias dos chefes de Estado indicados para ocupar o cargo, o peronista Eduardo Duhalde assumiu interinamente a presidência até as eleições de 2003. O novo governo argentino estabeleceu o fim do câmbio fixo, mas não obteve apoio significativo interno e muito menos das finanças internacionais.

Em 2003, Duhalde foi substituído pelo também peronista Nestor Kirchner (1950-2010), que procurou combater o caos financeiro e político, tendo alcançado relativo sucesso. Em 2006, por exemplo, a Argentina pagou integralmente sua dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e obteve expressivas taxas de crescimento do PIB, acima de 8%.

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LEGENDA: As Mães e Avós da Praça de Maio em Buenos Aires, 2011.

FONTE: Daniel Garcia/Agência France-Presse

Em 2007, a presidência passou a ser ocupada pela esposa de Nestor, Cristina Kirchner, igualmente peronista. Menos hábil do que o marido, Cristina governou com forte oposição e frequentes manifestações dos exportadores de bens agrícolas contra impostos e juros elevados. Nestor Kirchner morreu em outubro de 2010 e Cristina foi reeleita em 2011.

Em 2012, o movimento das Mães e Avós da Praça de Maio obteve êxito na Justiça ao conseguir a condenação de várias autoridades argentinas a penas que variaram de 5 a 50 anos de prisão por atuações criminosas durante a ditadura militar.

Glossário:




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