Cláudio Vicentino Bruno Vicentino Olhares da História Brasil e mundo


Reflexos da Guerra Fria na América Latina



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Reflexos da Guerra Fria na América Latina

FONTE: Adaptado de: BAYLAC, M. H. Historie terminale. Paris: Larouse Bordas, 1998. p. 193.

FONTE: Banco de imagens/Arquivo da editora

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México

Após a proclamação da independência, em 1821, o México passou a viver um período de instabilidade política sob a forma de ditaduras e de dependência econômica. As condições sociais se deterioraram com a perda de quase metade de seu território, após a guerra travada contra os Estados Unidos, em 1848.

O intervencionismo, as disputas políticas e a crise econômica cresceram nas décadas seguintes. No governo do presidente Benito Juarez (1858-1872), a ampliação das dificuldades desdobrou-se na suspensão do pagamento dos juros a diversos empréstimos contraídos por governos anteriores e, em resposta, o bloqueio dos portos mexicanos pela França com apoio da Espanha e da Grã-Bretanha, buscando forçar o pagamento das dívidas. O passo seguinte foi a intervenção armada de Napoleão III da França, em 1861, época da Guerra de Secessão nos Estados Unidos. Com a invasão, foi formado um governo chefiado pelo arquiduque austríaco Maximiliano de Habsburgo (1832-1867), coroado imperador do México.

A resistência republicana contra Maximiliano, tendo à frente Benito Juarez, acabou fragilizando e derrotando esse prolongamento do Segundo Império da França na América. No avanço das forças republicanas, Maximiliano acabou preso e fuzilado em Querétano, em 1867.

A vitória de Benito Juarez, presidente de origem indígena zapoteca, não pôs fim às dificuldades mexicanas sociais, econômicas, tampouco às disputas políticas. Na década seguinte, teve início a longa ditadura de Porfirio Díaz (1830-1915), que se estendeu de 1877 a 1880 e de 1884 a 1911. Nesse período se intensificaram a concentração fundiária e a entrada de elevadas somas de capital estrangeiro, voltadas para a exploração e o controle dos recursos minerais e da produção de artigos de exportação. Dessa forma, para a população local, em sua grande maioria fixada nas áreas rurais, aumentaram a miséria e a dependência em relação aos grandes senhores.

No início do século XX, esse quadro impulsionou o crescimento da insatisfação popular, expressada em greves operárias nas cidades e revoltas na zona rural. Dessas lutas surgiram líderes, como Pancho Villa (1878-1923) e Emiliano Zapata (1879-1919), que comandaram milhares de camponeses nas mobilizações por distribuição de terras via reforma agrária, opondo-se aos latifundiários apoiados pela Igreja e pelas elites constituídas. Parte da elite, no entanto, sob o comando de Francisco Madero (1873-1913), insurgia-se contra Porfirio Díaz. Essas forças se uniram aos exércitos revolucionários de Villa e Zapata e depuseram Porfirio Díaz em maio de 1911.

LEGENDA: Execução do imperador Maximiliano do México, 1868, óleo sobre tela de Édouard Manet (1832-1883).

FONTE: Reprodução/Galeria de Arte de Mannheim, Alemanha.

LEGENDA: Na foto, de 1915, os líderes populares Pancho Villa (no centro) e Emiliano Zapata (à direita) no palácio presidencial da Cidade do México.

FONTE: Agência France-Presse/Getty Images/Museu de Arte Moderna de Nova York, EUA.



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Entretanto, as camadas populares permaneceram insatisfeitas com as tímidas medidas sociais tomadas por Madero, assassinado em 1913 e substituído pelo general Victoriano Huerta (1850-1916), que reinstalou a ditadura, ligada aos interesses dos Estados Unidos.

Pancho Villa voltou a lutar contra as forças federais, enquanto Zapata liderava no sul do país a revolução camponesa pela reforma agrária. As pressões levaram Huerta a renunciar em 1914 em favor de um governo constitucional liderado por Venustiano Carranza (1914-1915).

Em 1917, foi promulgada a nova Constituição liberal do país e Carranza, eleito presidente. Insatisfeitos com o não atendimento de suas reivindicações, especialmente a redivisão fundiária, os movimentos populares continuaram em luta. Entretanto, perderam força, especialmente com o assassinato de Zapata em 1919 e o afastamento de Villa em 1920, seguido de seu assassinato em 1923. Assim, institucionalizou-se o projeto liberal.

Na década de 1930, mais de 80% das terras pertenciam a pouco mais de 10 mil pessoas. Entretanto, as manifestações nacionalistas e as reivindicações sociais encontraram no presidente Lázaro Cárdenas (1934-1940) um representante que expropriou terras e companhias estrangeiras, nacionalizou o petróleo e estimulou a formação de sindicatos camponeses e operários.

Em janeiro de 1994, o México se integrou ao Acordo Norte-Americano de Livre-Comércio (Nafta), associando-se aos Estados Unidos e ao Canadá em um mercado comum.

Também em janeiro de 1994, ocorreu o levante de um grupo armado denominado Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), que tomou várias cidades no estado de Chiapas, uma região empobrecida no sudeste do país.

Os zapatistas, como ficaram conhecidos, reivindicavam "pão, saúde, educação, autonomia e paz" para os camponeses da região. Liderados por um homem mascarado, conhecido como "subcomandante Marcos", sublevaram-se contra o governo e denunciaram o Nafta como danoso ao povo mexicano.

No contexto mexicano, chama a atenção a hegemonia do Partido Revolucionário Institucional (PRI), o antigo Partido da Revolução Mexicana, que já governava o país em 1929. O PRI permaneceu à frente do governo por 71 anos, até ser derrotado em 2000, quando Vicente Fox venceu as eleições presidenciais pelo Partido de Ação Nacional (PAN). Nas eleições de 2006, Felipe Calderón, do mesmo partido, elegeu-se presidente com apoio de Fox, derrotando por pouca margem de votos Andrés Manuel López Obrador, do Partido da Revolução Democrática (PRD), num clima de acusações de fraudes e contestações. Depois de uma breve ausência, o PRI retornou ao poder com a vitória de seu candidato Peña Nieto, empossado em dezembro de 2012.

LEGENDA: O levante dos zapatistas, em janeiro de 1994, além de derrotar o exército mexicano e tomar a capital do estado de Chiapas, San Cristóbal de las Casas, representou um sério revés à economia de mercado, fundamental para a integração neoliberal mexicana aos Estados Unidos e ao Canadá no quadro do Nafta. Na foto, membros do EZLN em protesto no estado de Chiapas contra a violência e os altos níveis de criminalidade no país. Foto de 2011.

FONTE: Mario Castillo/Reuters/Latinstock

Chile

Em 1970, Salvador Allende (1908-1973), da Unidade Popular, composta de socialistas e comunistas, substituiu o governo de Eduardo Frei, do Partido Democrata Cristão, que se caracterizava por um reformismo limitado. A vitória de Allende foi resultado de um longo período de lutas populares no Chile, de uma elaborada política de união das forças de esquerda e do enfraquecimento do bloco conservador no poder.

A vitória socialista estimulou a mobilização de grandes contingentes da população, com ocupações de terras e de fábricas que pressionavam o governo a avançar além de seus propósitos originais. Em resposta, as forças conservadoras conseguiram se rearticular e conspiravam contra o governo, o que provocou um clima de instabilidade social.

Com o avanço das esquerdas no Chile, os Estados Unidos, sob a presidência de Richard Nixon, sentiram-se ameaçados, uma vez que o governo chileno nacionalizou diversas empresas estadunidenses, especialmente mineradoras. Os Estados Unidos responderam custeando campanhas que desestabilizaram o governo de Allende, fortalecendo o desejo golpista da cúpula militar chilena.



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Em 11 de setembro de 1973, as Forças Armadas chilenas, sob o comando do general Augusto Pinochet, promoveram um golpe de Estado ao bombardear o palácio presidencial La Moneda, sede do governo, em Santiago, numa ação que levou Allende a resistir até a morte.

O seguinte diálogo entre o presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, e seu secretário de Estado, Henry Kissinger, é revelador sobre a presença da potência capitalista por trás do golpe militar que derrubou o presidente chileno Salvador Allende, democraticamente eleito.


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