Cláudio Vicentino Bruno Vicentino Olhares da História Brasil e mundo



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Leituras

Boxe complementar:

A seguir, leia o texto da cientista política Christiane Jalles de Paula sobre a atuação do IPÊS.

A atuação do IPÊS

Fundado oficialmente em 2 de fevereiro de 1962, no Rio de Janeiro, o IPÊS resultou da fusão de grupos de empresários organizados no Rio e em São Paulo e rapidamente ganhou a adesão das classes produtoras das outras unidades da federação.

O acirramento nos debates sobre as chamadas "reformas de base" - agrária, bancária, urbana, universitária e tributária, promovidas pelo governo Goulart - incitou nos membros do IPÊS a percepção de que o país marchava inexoravelmente para o comunismo e que cabia aos "homens bons" a interrupção desse processo.

Dessa forma, o instituto promoveu intensa campanha antigovernamental. Associando as propostas do governo ao comunismo, a entidade utilizou os mais diversos meios de comunicação na defesa da "democracia" e da livre iniciativa. Publicou artigos nos principais jornais do país; produziu uma série de 14 filmes de "doutrinação democrática", apresentados em todo o país; financiou cursos, seminários, conferências públicas; publicou e distribuiu inúmeros livros, folhetos e panfletos anticomunistas, dentre os quais UNE, instrumento de subversão, de Sônia Seganfreddo, dirigido aos estudantes universitários, então tidos como um dos pilares da infiltração comunista.

O IPÊS também atuou no financiamento de outras entidades contrárias ao governo Goulart, tais como os Círculos Operários carioca e paulista, a Confederação Brasileira de Trabalhadores Cristãos, a Campanha da Mulher pela Democracia (Camde) do Rio, a União Cívica Feminina de São Paulo, o Instituto Universitário do Livro, e o Movimento Universitário de Desfavelamento. O IPÊS-RJ auxiliava igualmente a Associação de Diplomados da Escola Superior de Guerra.

Em maio de 1963, a Câmara dos Deputados instalou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD), acusado de financiar candidatos oposicionistas na campanha eleitoral de 1962 com recursos indevidos. O IPÊS foi arrolado na CPI, mas acabou sendo absolvido, em dezembro de 1963.

A participação do IPÊS na derrubada do governo Goulart, em 31 de março de 1964, pelos militares, foi preferencialmente resultado de um trabalho propagandístico. Todavia, isso não impediu que alguns de seus membros, individualmente, atuassem de maneira mais direta. O reconhecimento dos seus préstimos pelo regime militar ocorreu em 7 de novembro de 1966, quando foi declarado "órgão de utilidade pública" por decreto presidencial.

O IPÊS paulista foi completamente desativado em 1970, ao passo que o do Rio encerrou suas atividades em março de 1972.

Christiane Jalles de Paula. O Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais - IPÊS. Disponível em: http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/Jango/artigos/NaPresidenciaRepublica/O_Instituto_de_Pesquisa_e_Estudos_Sociais. Acesso em: 13 abr. 2016.

Fim do complemento.

Entre outros opositores a João Goulart estavam o Instituto Brasileiro de Ação Democrática (Ibad), a Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp).

Num comício realizado em 13 de março de 1964, no Rio de Janeiro, o presidente prometeu o aprofundamento das reformas para diversas entidades de trabalhadores e estudantes. Em resposta, os conservadores organizaram uma grande passeata em São Paulo, chamada Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Os participantes da passeata declaravam estar se posicionando contra o que era visto como ameaça da transformação do país numa república comunista, representada pelo presidente, suas propostas e seu grupo de apoio. Setores da Igreja e do empresariado participaram da manifestação.

LEGENDA: João Goulart e sua esposa, Maria Teresa, no comício pelas reformas de base realizado na Central do Brasil, em 13 de março de 1964.

FONTE: Acervo Iconographia/Reminiscências




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