Cláudio Vicentino Bruno Vicentino Olhares da História Brasil e mundo


Rubens Vaz (1922-1954). O episódio ficou conhecido como o atentado da rua Toneleros



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Rubens Vaz (1922-1954). O episódio ficou conhecido como o atentado da rua Toneleros. As investigações apontaram a participação de Gregório Fortunato (1900-1962), chefe da guarda pessoal de Getúlio. Isso acirrou os ânimos dos oposicionistas, desdobrando-se numa grande campanha pela renúncia de Vargas. A campanha contou com os meios de comunicação, que alimentavam e impulsionavam o aprofundamento da crise.

Pressionado, Vargas suicidou-se em 24 de agosto de 1954. A notícia da morte e a divulgação de sua carta-testamento estimularam manifestações populares por todo o país. Jornais de oposição foram invadidos e depredados, assim como os diretórios da UDN e a embaixada dos Estados Unidos no Rio de Janeiro. Leia a seguir alguns trechos da carta-testamento de Vargas:

Mais uma vez, as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se novamente e se desencadeiam sobre mim.

Não me acusam, me insultam; não me combatem, caluniam e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes. Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar a liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobras; mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculizada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja independente [...].

Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma agressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar a não ser o meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida. Escolho este meio de estar sempre convosco [...].

Ao ódio respondo com o perdão. E aos que pensam que me derrotaram, respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate.

Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram o meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história.

Citado em DEL PRIORE, Mary et al. Documentos de história do Brasil: de Cabral aos anos 90. São Paulo: Scipione, 1997. p. 98-99.

Com o suicídio de Getúlio, o vice-presidente Café Filho (1899-1970) assumiu o poder.

Inconformados com o resultado das eleições, a UDN de Lacerda e setores militares tramavam um golpe, com apoio discreto de Café Filho e outros ministros, mas esbarraram no legalista ministro da Guerra, o general Henrique Teixeira Lott (1894-1984). A saída de Café Filho da presidência por problema de saúde ocasionou a transferência do cargo ao presidente da Câmara dos Deputados, Carlos Luz (1894-1961), aliado da UDN. Este, mais favorável aos golpistas, tentou se livrar do legalista Lott, que reagiu e o depôs. O cargo foi entregue então ao presidente do Senado, Nereu Ramos (1888-1958), que governou como presidente da República até a posse de Juscelino Kubitschek, em janeiro de 1956.

Nas eleições de outubro de 1955, Juscelino Kubitschek de Oliveira (1902-1976), ex-governador de Minas Gerais, teve uma vitória apertada, de 36%, contra 30% dos votos dados a Juarez Távora, candidato da UDN. JK, como era popularmente conhecido, foi o candidato da coligação PSD-PTB. Como na época os eleitores votavam separadamente para presidente e para vice-presidente, João Goulart, o Jango, ex-ministro do Trabalho de Vargas, venceu a eleição para Vice-Presidência, com mais votos (3 591 409) do que o próprio JK (3 077 411).




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