Cláudio Vicentino Bruno Vicentino Olhares da História Brasil e mundo



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8. A Revolução Cubana (1959)

A independência cubana, em 1898, logo esbarrou na política do Big Stick ("grande porrete") que, como já vimos, foi criada pelo governo dos Estados Unidos para que pudessem intervir nos países da América Latina.

Nos termos dessa política, o governo daquele país exigiu que a Emenda Platt fosse incluída na Constituição cubana de 1901, dando início à tutela estadunidense sobre Cuba. Além de ceder aos Estados Unidos a região da baía de Guantánamo, ainda hoje uma base norte-americana em solo cubano, o país ficou sob a ameaça constante de invasão e sujeito a governos ditatoriais subservientes ao governo dos Estados Unidos, como o de Fulgêncio Batista (1901-1973), que governou Cuba de 1940-1944 e de 1952-1958.

Na década de 1950, entretanto, a oposição à ditadura cresceu consideravelmente. Em 1956, um movimento armado, liderado por Fidel Castro, Camilo Cienfuegos (1932-1959) e Ernesto "Che" Guevara (1928-1967) instalou-se nas montanhas de Sierra Maestra. Apoiado pelos camponeses e utilizando táticas de guerrilha, o movimento cresceu rapidamente e, depois de sucessivas vitórias, ocupou várias cidades e povoados de Cuba. Em 31 de dezembro de 1958, Fulgêncio Batista, derrotado, fugiu do país para a vizinha República Dominicana.

A política de mudanças adotada pelo governo revolucionário a partir de 1959 chocava-se com os interesses do governo dos Estados Unidos no país. A realização da reforma agrária e a nacionalização das refinarias de açúcar, usinas e indústrias - a maior parte pertencente a norte-americanos - levaram o governo estadunidense a suspender a importação do açúcar cubano. Como a venda desse produto era vital para a economia de Cuba, o novo governo buscou um novo mercado consumidor, voltando-se para os soviéticos.

LEGENDA: Fidel Castro acena para a população, após sair vitorioso na guerrilha contra a ditadura de Fulgêncio Batista, em janeiro de 1959.

FONTE: Rolls Press/Popperfoto/Getty Images

A ligação de Cuba com o bloco soviético serviu de justificativa para John Kennedy tomar medidas radicais contra o país. Em janeiro de 1961, o governo dos Estados Unidos tentou, sem sucesso, derrubar Fidel Castro do poder, no episódio da invasão da baía dos Porcos.

No mesmo ano, Fidel anunciou formalmente ao mundo que Cuba passava a ser um país socialista. Ao ingressar no bloco, a ilha se tornou importante ponto estratégico para a União Soviética, que tentou instalar mísseis em seu território, fato que originou a crise dos mísseis de 1962, como vimos anteriormente.

LEGENDA: Fidel Castro, à direita, conversa com "Che" Guevara, em foto de 1959.

FONTE: The New York Times/Latinstock

Ainda em 1962, Cuba foi expulsa da Organização dos Estados Americanos (OEA), sob a acusação de que disseminava a subversão pelo continente, embora o México continuasse a manter relações diplomáticas com o governo cubano. Época, como vimos, em que John Kennedy lançou para a América Latina a Aliança para o Progresso.

Isolada no continente, Cuba passou a apoiar os movimentos guerrilheiros que eclodiam em diversos pontos da América Latina. O próprio líder da Revolução Cubana e ex-ministro de Cuba, Ernesto "Che" Guevara, participou pessoalmente da guerrilha boliviana. Porém, em outubro de 1967, foi morto na Bolívia.

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Enquanto a atitude ofensiva cubana ocorria, o governo dos Estados Unidos apoiava golpes militares no continente, que implantaram governos ditatoriais voltados a conter a expansão do socialismo na América Latina.

A Revolução Cubana constituiu uma forma singular de enfrentar os problemas de miséria e opressão causados pelo subdesenvolvimento, sem para isso recorrer ao alinhamento com o governo dos Estados Unidos. Após 25 anos do início da revolução, o governo cubano, apesar de várias dificuldades enfrentadas, diminuiu o desemprego e a miséria entre a população, e o analfabetismo foi erradicado do país.

Porém, as mudanças políticas e sociais no Leste Europeu e a derrocada da União Soviética, entre 1989 e 1991, que estudaremos adiante, fortaleceram a pressão popular por reformas na política cubana, como a reivindicação pela abertura política e pelo fim do partido único, controlado pelos irmãos Castro.

Ao mesmo tempo, o bloqueio econômico dos Estados Unidos implementado desde 1961 multiplicava as dificuldades da população cubana e do próprio regime socialista. Os efeitos dessa política estadunidense foram tão negativos que muitas das conquistas sociais, econômicas e culturais obtidas até os anos 1980 foram revertidas ou ameaçadas.

A retração econômica do Leste Europeu, provocada pelo esfacelamento da União Soviética, levou os dirigentes comunistas cubanos a tentar, em meados da década de 1990, um reformismo econômico e uma aproximação com a comunidade internacional discordante do bloqueio imposto pelo governo norte-americano. Assim, o lema revolucionário "socialismo ou morte" foi substituído por "queremos capital, e não capitalismo". Outro mecanismo adotado pelo governo cubano foi o incremento do turismo, para atrair divisas que recuperassem a economia do país.

Nos últimos anos, vigorou em Cuba uma política pendular de isolamento e reaproximação do governo com vários países, especialmente com os Estados Unidos e com a União Europeia. Nesse contexto, o intercâmbio comercial e os financiamentos canadenses e europeus concedidos ao país cresceram. Apesar disso, dissidências internas e oposição à ordem política, seguidas de repressão e prisões, evidenciavam a permanência da estrutura fechada e antidemocrática, motivo de críticas e de entrave à maior integração de Cuba no circuito dos negócios e da política internacional.


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