Cláudio Vicentino Bruno Vicentino Olhares da História Brasil e mundo



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Os estadunidenses de 1945 a 1969

Com a morte de Roosevelt, em 1945, o vice-presidente, Harry Truman, assumiu a liderança dos Estados Unidos. Seu governo caracterizou-se pelo início da Guerra Fria. Difundiu-se por todo o país a ideia de que qualquer oposição ao governo era sinal de antiamericanismo ou comunismo, produto de sabotagem e traição nacional. À frente dessa histeria política, estava o senador Joseph McCarthy (1908-1957), do qual deriva a palavra macarthismo, sinônimo de intolerância.

O macarthismo atingiu seu auge com o caso Rosenberg, em que o casal judeu Ethel e Julius Rosenberg, acusado de passar segredos da bomba atômica aos soviéticos, foi preso e julgado. Depois de um tumultuado processo, e apesar dos pedidos de clemência vindos de muitos países, ambos foram executados em 1953.

A febre macarthista atingiu todo o país, com julgamentos e condenações de muitos intelectuais, cineastas, escritores e artistas. Vários deles, entre os quais Charles Chaplin (1889-1977), foram obrigados a sair do país devido às perseguições. O macarthismo só se extinguiu por volta de 1956, durante o governo de Dwight Eisenhower.

Eleito em 1952 pelo Partido Republicano, Eisenhower foi reeleito em 1956, governando os Estados Unidos até 1960. Na política externa, oscilou entre o enfrentamento da Guerra Fria e a prática da Coexistência pacífica. Comandou uma política agressiva contra os soviéticos, estabelecendo pactos militares com países alinhados contra o comunismo. Ao mesmo tempo, retomou as relações com o governo soviético, que originaram os primeiros acordos do pós-guerra.

Eisenhower promoveu a construção de mísseis e estimulou a exploração espacial, a fim de ultrapassar os soviéticos, que em 1957 lançaram o primeiro satélite artificial da Terra, o Sputnik. Além disso, recebeu Nikita Kruschev em 1959, nos Estados Unidos, para conversações confidenciais e amigáveis.



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Nas eleições presidenciais de 1960, John Kennedy (1917-1963), do Partido Democrata, venceu o republicano Richard Nixon (1913-1994). Ao assumir a Presidência, Kennedy e o seu governo viram a vitória de Fidel Castro (1926-) em Cuba, em 1959, como nova ameaça no contexto da Guerra Fria. A Revolução Cubana anulou a tradicional hegemonia estadunidense na ilha, grande produtora de açúcar e charutos e apreciado local turístico.

Em 1961, Fidel Castro proclamou a adesão de Cuba ao socialismo. O governo dos Estados Unidos respondeu com o rompimento das relações diplomáticas com o governo cubano e colocou em prática um plano de invasão à ilha, elaborado pela Agência Central de Inteligência, a CIA (Central Intelligence Agency, órgão do governo estadunidense dedicado à espionagem e ações clandestinas). Nos termos desse plano, um grupo de exilados cubanos e mercenários norte-americanos desembarcou na baía dos Porcos, em Cuba, para derrubar o governo de Fidel Castro. A invasão, entretanto, fracassou, e Kennedy foi obrigado a assumir pessoalmente a responsabilidade da ação.

Kennedy temia novos episódios de rebeldia na América Latina, onde o descontentamento causado pelo subdesenvolvimento e pelas graves dificuldades econômicas era evidente. Criou, então, a Aliança para o Progresso, um programa de ajuda econômica aos países do continente, que garantia a supremacia das ideias, valores e interesses norte-americanos na região.

Em 1962, o governo dos Estados Unidos decretou o bloqueio econômico de Cuba, impedindo que países de sua esfera de influência comerciassem com a ilha. No mesmo ano, outro fato pôs em risco a aproximação Leste-Oeste e até mesmo a paz mundial: satélites dos Estados Unidos revelaram que mísseis soviéticos apontados para os Estados Unidos estavam sendo instalados em Cuba, a cerca de 160 km de distância.

Ameaçando invadir a ilha, o governo estadunidense exigiu a retirada dos mísseis. Diante da gravidade do incidente e de suas possíveis consequências, Kruschev, que assumira compromissos de defesa dos cubanos, preferiu recuar, desmontando as rampas de lançamento de mísseis instalados na ilha.

LEGENDA: Armas utilizadas pelos soldados mercenários cubanos e norte-americanos que desembarcaram em Cuba na tentativa de golpe contra Fidel Castro, em foto de 1961.

FONTE: Keystone-France/Gamma-Keystone/Getty Images

Na política interna, o presidente Kennedy adotou medidas voltadas para o bem-estar da população de seu país nas áreas de educação e saúde e tornou a discriminação racial ilegal. Sua carreira política foi encerrada em 22 de novembro de 1963, ao ser baleado durante uma visita oficial à cidade de Dallas, no Texas.

O vice-presidente Lyndon Johnson (1908-1973) assumiu o governo e foi reeleito para o período de 1964 a 1968. Durante o seu mandato, manteve uma atitude ofensiva contra o comunismo, distanciando-se dos soviéticos, e envolveu os Estados Unidos na Guerra do Vietnã, chegando a enviar mais de 500 mil soldados para a região. Essa participação provocou grandes manifestações de protesto contra a guerra e o intervencionismo do governo estadunidense no Sudeste Asiático.

LEGENDA: Lançamento de foguete que levava o satélite espacial soviético Sputnik 1, em 1957.

FONTE: Sovfoto/UIG/Getty Images



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LEGENDA: O presidente John Kennedy, momentos antes de ser atingido por uma bala que o mataria, em Dallas (Texas), no dia 22 de novembro de 1963. Esse crime nunca chegou a ser totalmente esclarecido: conspiração ou ato isolado de um delinquente?

FONTE: Reuters/Latinstock

Ainda no governo Kennedy, as manifestações do movimento negro contra o racismo se intensificaram, sob a liderança do pastor Martin Luther King (1929-1968). Desde o final da década de 1950, suas pregações reuniam milhares de simpatizantes e sobrepuseram-se às organizações radicais, como a liderada por Malcolm X (1925-1965) e a dos Black Panthers ('Panteras negras').

Luther King seguia a doutrina do indiano Mahatma Gandhi (1869-1948), que defendia a desobediência civil e a não violência como meios de obter conquistas sociais. Boicote aos meios de transporte exclusivos dos brancos, no sul do país, movimentos políticos de intelectuais e de sindicatos, e marchas pelos direitos civis foram alguns dos recursos usados pelo movimento negro em sua luta. Pouco a pouco, o movimento ganhou a adesão da maioria branca, e algumas decisões favoráveis foram obtidas nos tribunais.

Ganhador do prêmio Nobel da Paz em 1964, Luther King foi assassinado em 1968. No mesmo ano, como reflexo de um agitado período de lutas políticas e sociais, o senador Robert Kennedy, irmão de John Kennedy, também foi assassinado. Ao condenar abertamente a Guerra do Vietnã, tornara-se o preferido na campanha presidencial em curso. Seu assassinato, cometido por um palestino, foi tido como um protesto contra a proteção dada pelo governo dos Estados Unidos ao Estado de Israel durante os conflitos árabe-israelenses no Oriente Médio.

LEGENDA: Martin Luther King, líder do movimento contra a segregação racial e pela igualdade de direitos civis da população negra dos Estados Unidos, numa manifestação em Washington D.C., em 1963.

FONTE: Hulton-Deutsch Collection/Corbis/Latinstock




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