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O movimento tenentista e a resistência oligárquica



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O movimento tenentista e a resistência oligárquica

A década de 1920 foi marcada por diversos levantes militares liderados por jovens oficiais de baixa patente, principalmente tenentes e capitães. A maioria desses oficiais tinha origem nas camadas médias da população e acreditava que cabia ao Exército moralizar a política e derrubar a República oligárquica. Defendiam o voto secreto, o ensino obrigatório e as reformas políticas e sociais. Suas rebeliões serviram para diminuir ainda mais o poder da oligarquia paulista, atraindo a simpatia dos grupos de oposição ao governo.

A rebelião de um grupo de oficiais no forte de Copacabana, em 5 de julho de 1922, foi o primeiro movimento encabeçado pelos tenentes contra a posse, em novembro, do recém-eleito presidente Artur Bernardes.

LEGENDA: O forte de Copacabana, na cidade do Rio de Janeiro, foi o local onde teve início o movimento militar que iria contribuir para a queda da República oligárquica.

FONTE: Acervo Iconographia/Reminiscências

Os quartéis do Distrito Federal que se rebelaram logo foram controlados pelas forças de Epitácio Pessoa. A tropa sediada no forte de Copacabana foi a última a se render. Depois de serem duramente atacados, os poucos rebeldes que permaneceram em luta saíram marchando pelas ruas, onde muitos foram mortos a tiros. Apesar do desfecho, o episódio dos 18 do Forte de Copacabana, como ficou conhecido, trouxe imensa popularidade ao movimento dos tenentes.

A revolta não impediu que Artur Bernardes tomasse posse. Para enfrentar as agitações políticas, ele decretou estado de sítio várias vezes em seu governo, ordenando prisões arbitrárias, censura à imprensa e repressão policial.

Menos de três meses após a posse de Artur Bernardes, em janeiro de 1923, a Revolução Gaúcha explodiu no Rio Grande do Sul. Em 1922, Antônio Augusto Borges de Medeiros (1863-1961), herdeiro de Júlio de Castilhos do Partido Republicano Rio-grandense (PRR), saía vitorioso nas eleições estaduais pela quarta vez. Uma ampla aliança das oligarquias gaúchas dissidentes lançou a candidatura de Joaquim Francisco de Assis Brasil (1857-1938) para concorrer com Borges de Medeiros, que era aliado de Artur Bernardes. Borges foi reeleito; a oposição contestou e denunciou a existência de fraude.

No dia da posse de Borges teve início um movimento revolucionário que tentou derrubá-lo, mas ele se manteve no poder após diversos combates. Em dezembro de 1923, Borges teve de firmar o Pacto de Pedras Altas. Segundo esse acordo, ficavam proibidas as reeleições no estado após seu mandato. Muitos dos oposicionistas a Borges de Medeiros faziam parte do Exército ou tinham ligações com os tenentes.

LEGENDA: A foto registra um dos últimos momentos desse pequeno exército, determinado a impedir a posse de Artur Bernardes. À frente, da esquerda para a direita, os tenentes Eduardo Gomes, Siqueira Campos, Newton Prado e o civil Otávio Correia. Foto de 1922.

FONTE: Acervo Iconographia/Reminiscências

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LEGENDA: Barricada rebelde no centro da cidade de São Paulo. Foto de 1924.

FONTE: Acervo Iconographia/Reminiscências

Em 1924, no segundo aniversário do Levante do Forte de Copacabana, os tenentes voltaram a se rebelar, dessa vez nos estados de São Paulo, Sergipe e Amazonas. As rebeliões do Norte e do Nordeste foram rapidamente sufocadas. Em São Paulo, tropas de revoltosos comandados pelo general gaúcho Isidoro Dias Lopes (1865-1949), e com participação do major Miguel Costa (1885-1959) e dos tenentes Joaquim Távora (1881-1924) e Eduardo Gomes (1896-1981), sobrevivente do episódio dos 18 do Forte de Copacabana, ocuparam vários pontos estratégicos da capital paulista. Entre as reivindicações apresentadas estavam o voto secreto, a obrigatoriedade do ensino primário e a deposição do presidente da República.

Os pelotões patrióticos, tropas fiéis ao governo, soldados do Exército, da Força Pública do estado e tropas armadas pelos coronéis e comerciantes, atacaram os rebelados. Após três semanas de batalhas, com diversos bombardeios sobre a cidade de São Paulo, os tenentes decidiram retirar-se para o interior. Cerca de seis mil soldados rebeldes dirigiram-se para a região de Foz do Iguaçu, no sudoeste do Paraná, e formaram um destacamento que ficou conhecido como Coluna Paulista.

Em outubro de 1924, cerca de 2 mil soldados gaúchos rebelados, liderados pelo capitão Luís Carlos Prestes (1898-1990), deixaram o Rio Grande do Sul e dirigiram-se a Guaíra, no Paraná, para se juntarem à Coluna Paulista. Parte desses soldados estava descontente com o governo de Borges de Medeiros e com o Pacto de Pedras Altas.

Após se reunirem em 1925, os dois grupos decidiram percorrer o interior do país sob o comando de Prestes. O objetivo deles era uma revolta popular contra o governo. Reunindo cerca de 1 500 homens, a Coluna Prestes, como ficou conhecida, percorreu mais de 24 mil quilômetros.

Contudo, eles não receberam o apoio popular que esperavam. No Nordeste, cangaceiros foram contratados e armados por coronéis e membros do governo para combater a Coluna. Por fim, os frequentes ataques das tropas do governo, de jagunços e coronéis debilitaram a Coluna Prestes. Em 1927, parte da Coluna, sob o comando de Siqueira Campos, se retirou para o Paraguai. Outro grupo, sob o comando de Prestes, dirigiu-se para a Bolívia. Nessa época, 800 homens faziam parte da Coluna.




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