Cláudio Vicentino Bruno Vicentino Olhares da História Brasil e mundo


2. Novos personagens e a ordem oligárquica



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2. Novos personagens e a ordem oligárquica

Mesmo com as dificuldades que o produto vinha encontrando, o café continuava sendo a principal fonte de recursos internacionais para o Brasil. Enquanto isso, porém, a atividade industrial crescia de modo significativo, especialmente desde a Primeira Guerra Mundial. Em 1920, existiam no país mais de 13 mil fábricas, com mais de 275 mil operários, que ansiavam por direitos trabalhistas e por melhores condições de trabalho.

Os novos grupos, ligados à industrialização e à urbanização (a burguesia industrial, o operariado e os grupos médios urbanos), apresentavam reivindicações distintas, de acordo com seus interesses.

A burguesia industrial cresceu graças aos lucros obtidos com a exportação do café, especialmente em São Paulo. Fica claro, então, que o crescimento industrial estava atrelado às oligarquias agroexportadoras, e os interesses desses dois setores geralmente eram comuns. Exemplo disso era a desvalorização da moeda brasileira, que barateou os produtos brasileiros no mercado internacional e favoreceu os cafeicultores. A desvalorização também beneficiava os industriais, tornando os produtos importados mais caros e, consequentemente, aumentando a produção interna de bens de consumo não duráveis, como tecidos e alimentos industrializados. Em contrapartida, porém, tornava a compra de máquinas muito cara, inviabilizando investimentos industriais.

Já para os grupos médios urbanos, a desvalorização da moeda, a elevação dos preços internos e as fraudes eleitorais eram motivos de insatisfações e críticas. Esses grupos pediam a instituição do voto secreto e a moralização do processo eleitoral. O operariado pressionava para obter melhores condições de vida e de trabalho, além de maior participação política. A partir de 1922, o recém-fundado Partido Comunista do Brasil (PCB) passou a disputar com os anarquistas o controle de organizações e movimentos operários, acabando por assumir sua liderança.

No mesmo ano de 1922, as eleições presidenciais foram tensas. As oligarquias que não eram de São Paulo ou Minas Gerais há muito tempo manifestavam posição contrária à continuidade do pacto político em curso (a chamada política do café com leite). Nessas eleições, elas se opuseram à candidatura de Artur Bernardes (1875-1955), formando a Reação Republicana, que lançou a candidatura de Nilo Peçanha (1867-1924).

LEGENDA: Operários de uma tecelagem em Salto, São Paulo. Foto de 1920, aproximadamente.

FONTE: Acervo Museu da Imigração/Arquivo Público do Estado de São Paulo, SP.

LEGENDA: Foto dos fundadores do Partido Comunista do Brasil (PCB). De pé, da esquerda para a direita: Manuel Cendón, Joaquim Barbosa, Astrojildo Pereira, João da Costa Pimenta, Luís Pérez e José Elias da Silva. Sentados, da esquerda para a direita: Hermogênio Silva, Abílio de Nequete e Cristiano Cordeiro.

FONTE: Acervo Iconographia/Reminiscências

Na campanha eleitoral, a publicação de duas cartas com comentários desrespeitosos aos militares no jornal Correio da Manhã, do Rio de Janeiro, ganhou destaque. Essas cartas ficaram conhecidas como "cartas falsas" e eram atribuídas a Artur Bernardes, que negava serem de sua autoria.

Artur Bernardes foi eleito, com respaldo da Política dos governadores. Porém, as denúncias de fraudes no processo eleitoral e as críticas do ex-presidente Marechal Hermes da Fonseca (1855-1923) ao então presidente Epitácio Pessoa (1865-1942) aumentaram a tensão. Pessoa determinou a prisão de Fonseca e o fechamento do Clube Militar, provocando diversas rebeliões em unidades do Exército.




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