Cláudio Vicentino Bruno Vicentino Olhares da História Brasil e mundo



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A explosão da crise e o New Deal

A intensa atividade econômica nos Estados Unidos também impulsionou, a partir de 1928, a especulação financeira por meio da compra e venda de ações de grandes empresas na Bolsa de Valores de Nova York. Em meados de 1929, o valor das ações quadruplicou e cada vez mais investidores foram atraídos pela possibilidade de enriquecer facilmente.

A prosperidade econômica, contudo, tinha um limite físico. Por um lado, o mercado não acompanhava a expansão industrial, pois, devido à desigualdade na distribuição da renda, nem todos podiam consumir na mesma proporção. Por outro, os países da Europa, arrasados na Primeira Guerra Mundial, aos poucos se recuperavam e buscavam importar menos produtos estadunidenses, estabelecendo leis protecionistas.

Assim, a superprodução agrícola e industrial, que não escoava e gerava uma estocagem cada vez maior devido ao subconsumo, levou a especulação financeira ao limite: o valor das ações estava muito acima de seu valor real, baseado apenas na confiança de que esses papéis continuariam se valorizando e não nos lucros obtidos com as vendas da produção. Entretanto, o presidente Herbert Hoover (1874-1964), que governou os Estados Unidos entre 1929 e 1933, mantinha sua posição liberal, recusando uma intervenção estatal para estancar ou reverter a situação.

A crise explodiu em 24 de outubro, quando muitas pessoas tentaram vender suas ações e não encontraram compradores, o que provocou uma redução drástica dos preços. Os investidores, atemorizados, tentavam livrar-se dos papéis, originando uma avalanche de ofertas de ações que derrubou ainda mais os preços. Esse dia ficou conhecido como Quinta-feira Negra.

Do dia para a noite, empresários prósperos tornaram-se donos de papéis sem nenhum valor. A desordem econômica espalhou-se pelos meses seguintes e atingiu profundamente toda a sociedade estadunidense, da indústria à agricultura. A queda da renda real dos agricultores até 1932 foi superior a 50%; consequentemente, diversos bancos do sul e do meio-oeste dos Estados Unidos quebraram.

No conjunto, 85 mil empresas faliram, 4 mil bancos fecharam e cerca de 12 milhões de trabalhadores estadunidenses ficaram desempregados. Foi um período de pobreza e fome, não só nos Estados Unidos.

A crise de 1929 abalou o mundo inteiro, exceto a União Soviética, fechada em si mesma e orientada segundo os Planos quinquenais.

A difusão da crise contou com dois fatores básicos: a redução das importações pelos Estados Unidos, que afetou duramente os países que dependiam de seu mercado consumidor (o café brasileiro é um exemplo), e o repatriamento de capitais estadunidenses investidos em outros países.

Em meio à crise econômica, o Partido Democrata derrotou os republicanos nas eleições presidenciais em 1932. Eleito presidente, uma das primeiras providências de Franklin Delano Roosevelt (1882-1945) foi limitar o liberalismo econômico, intervindo na economia por meio do New Deal ("novo acordo"), plano elaborado por um grupo de renomados economistas e baseado nas teorias do economista inglês John Maynard Keynes (1884-1946).

LEGENDA: Desempregados em fila para receber refeições gratuitas em Nova York. Os efeitos da crise de 1929 podiam ser vistos em cenas como essa nas ruas das principais cidades dos Estados Unidos. Foto de 1930.

FONTE: Bettmann/Corbis/Latinstock



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Com o New Deal, o liberalismo de Adam Smith cedeu lugar ao keynesianismo, que defendia a intervenção do Estado para controlar o desenvolvimento da economia, de modo a combater crises e garantir empregos e direitos sociais. Roosevelt determinou grandes emissões monetárias, inflacionando deliberadamente o sistema financeiro; fez grandes investimentos estatais, como hidrelétricas; estimulou uma política de empregos por meio de obras públicas, entre outras medidas, o que promoveu o consumo e possibilitou a progressiva recuperação da economia.

O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos, que caíra de US$ 103,7 bilhões para US$ 56,4 bilhões em 1932, recuperou-se lentamente, chegando a US$ 101,3 bilhões em 1939.

A política keynesiana da busca do pleno emprego para estimular as economias em recessão, posteriormente adotada em outros países industrializados, foi acompanhada pela instalação de modernos sistemas previdenciários, como a Lei de Seguridade dos Estados Unidos, aprovada em 1935. Ela serviu também de base para as políticas de bem-estar social desenvolvidas pelos países capitalistas, o Welfare State (Estado de bem-estar social), expressão que entrou em uso a partir dos anos 1940.

A política keynesiana predominou no cenário econômico internacional até o final dos anos 1970, quando a liberdade de mercado voltou a ganhar prestígio, defendida por teóricos como Friedrich von Hayek (1899-1992) e por membros da escola monetarista de Chicago, como Milton Friedman (1912-2006) e Robert Lucas.


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