Cláudio Vicentino Bruno Vicentino Olhares da História Brasil e mundo



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Movimento operário

Até 1907, aproximadamente, a cidade do Rio de Janeiro era a que mais tinha indústrias no país, seguida por São Paulo. Ambas concentravam 46% do capital investido no setor, empregando 39% dos trabalhadores de indústrias. Ainda na mesma década esse cenário se inverteu, e São Paulo assumiu a liderança, passando a ter um número maior de fábricas em funcionamento, operários empregados e dinheiro investido.

Das indústrias instaladas, aproximadamente 10% empregavam mais de 500 pessoas e usavam máquinas movidas a energia elétrica. As demais, porém, eram menores, empregando de 4 a 50 pessoas cada uma, muitas delas funcionando com maquinaria ou ferramentas manuais ou movidas a carvão.

Nesse período, o número de mobilizações e greves de trabalhadores aumentou. Não existiam leis que os protegessem e seu trabalho era intensamente explorado. Com essas manifestações, o operariado obteve algumas conquistas importantes ao longo da República oligárquica: descanso semanal, direito a férias, regulamentação do trabalho infantil e feminino e assistência ao trabalhador em casos de acidentes. No entanto, essa fase continuou marcada pela baixa remuneração e pelas diferenças salariais entre homens, mulheres e crianças, pela existência de ambientes insalubres, pelo assédio contra as trabalhadoras e pela repressão policial em caso de mobilização trabalhista.

Nessa época, diversos tipos de sindicato foram criados. Os mais comuns eram aqueles que reuniam trabalhadores com uma mesma qualificação, como tipógrafos, sapateiros, padeiros e marceneiros. Eram trabalhadores especializados, com elevado poder de negociação, pois era difícil encontrar outras pessoas com seus conhecimentos. A partir de 1917, os sindicatos que reuniam trabalhadores das grandes fábricas, independentemente da especialização, passaram a ter bastante importância no cenário de lutas por direitos.

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LEGENDA: Operários de fábrica na cidade de São Paulo em foto de 1910.

FONTE: Acervo Iconographia/Reminiscências

Além da repressão policial, geralmente acionada nos casos de comício e de greves que paralisavam fábricas ou até mesmo regiões de uma cidade, leis foram instituídas para enfraquecer a mobilização de trabalhadores. Dentre elas, a Lei Adolfo Gordo, de 1907, que regulamentava a expulsão dos estrangeiros que "comprometiam a segurança nacional e a tranquilidade pública". Uma mudança, aprovada em 1913, ampliava as possibilidades de expulsão dos estrangeiros envolvidos com a militância operária. Como no setor industrial predominavam trabalhadores imigrantes de diversas nacionalidades, essa lei dificultou sua mobilização.

Os diversos sindicatos usavam panfletos e jornais como instrumento de conscientização e informação. Muitos desses impressos eram escritos em italiano ou espanhol para atingir um número maior de pessoas.

Entre as diversas correntes políticas que se disseminaram entre as entidades trabalhistas, duas se destacaram, porém em épocas diferentes: o anarcossindicalismo e o Bloco operário e camponês.

O anarcossindicalismo foi adotado por diversos sindicatos e foi a corrente dominante em três congressos operários ocorridos nos anos 1906, 1913 e 1920. Combinava elementos do pensamento anarquista com a questão da luta de classes, conforme visão dos socialistas. Não acreditando que fosse possível transformar a realidade capitalista e a condição do operário através de leis e representações políticas, os anarcossindicalistas defendiam a ação direta dos trabalhadores contra aqueles que os exploravam e oprimiam. Na prática, isso significava a adoção de greves como principal instrumento de luta.

A greve geral ocorrida em junho e julho de 1917 foi uma das lutas mais emblemáticas promovidas pelos trabalhadores durante a República oligárquica. Foi deflagrada pelos operários de uma das maiores fábricas têxteis de São Paulo, mas acabou atingindo outras categorias e municípios vizinhos. Em seu ápice, envolveu cerca de 43 mil trabalhadores.

A motivação para a greve foram as extensas jornadas de trabalho e os baixos salários. Durante esse período, a indústria brasileira produzia a pleno vapor para abastecer o mercado interno e externo, ainda na esteira dos efeitos da Primeira Guerra Mundial,


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