Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
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os palcos privilegiados da acção contada nesta narrativa; fê-lo na cidade em cujo centro 
assentara arraiais, há séculos, a universidade portuguesa mais antiga. Em Coimbra, tal como 
nas outras duas cidades universitárias, fez-se sentir o movimento desta nova geração: foi no 
seio da juventude univer-sitária desta cidade que nasceu um dos núcleos mais importantes 
responsáveis pela criação do neo-realismo português. Também a Universidade de Coimbra 
sentira na pele a luta entre os próceres do regime e as vozes dissonantes que clamavam por 
liberdade e renovação e o resultado estava à vista: foram demitidos profes-sores em 1935 
(Aurélio Quintanilha  e Sílvio Lima), fechara-se a Imprensa da Universidade numa clara 
retaliação  ao seu director, o Prof. Joaquim de Carvalho, figura de republicano que não es-
condia as suas simpatias democráticas e um dos dois professores que, na Assembleia da 
Universidade, votara ao lado de Aurélio Quintanilha. Mário Silva
23
 um bolseiro «avant la 
lettre», saído em 1925 para Paris e regressado em 1929, alimentara  a possibi-lidade de, a 
exemplo do que vira em Paris e à semelhança do que fora criado por Marie Curie,  lançar 
um Instituto do Rádio, mas a breve prazo a esperança deu lugar à derrota. Em Paris dei-
xara amigos, amigos que vão fazer alguma história na Física e vão participar nesta história 
que se está a contar. Mário Silva, a exemplo do que vira no estrangeiro, tentou também 
lançar no Laboratório de Física, socorrendo-se de colegas da Química e da Matemática, 
uma prática de seminários em torno de temas contemporâneos da Física, mas  era difícil 
remar contra a inércia instalada. O excessivo número de disciplinas para leccionar to-lheu-
lhe os movimentos e a vontade, contudo o cuidado coloca-do nas matérias que ensina e a  
publicação cuidada das suas lições
24
, completamente fora da edição «sebenteira» (praga que 
assolava toda a universidade portuguesa),  colocou-o, neste capítulo, num lugar de destaque 
no ensino da Física
25
.  
Apesar do ambiente adverso, só ou escassamente acompanhado —em  1936 já 
estava no Laboratório de Física, chegado de Manchester, um outro bolseiro, João Almeida 
Santos—, Mário Silva  foi espreitando a oportunidade de alterar este estado de coisas. É 
então, já após o início da guerra, que recebeu uma carta, remetida de Paris, de alguém que 
                                                           
23
 Sobre o trabalho científico e académico de Mário Silva, cf. SANTIAGO, 2001. 
24
 Silva, Mário, 1940, 
Lições de Física (apontamentos para uso dos alunos de Física da Faculdade de Ciências da 
Universidade de Coimbra). I livro – Macro-Física ou física fenomenológica, II livro – Micro-Física ou Física 
quântica, Coimbra, Livraria Académica; Silva, Mário, 1945, 
Mecânica Física: Princípios  fundamentais: Newton – 
Einstein, Editorial Saber – Cursos Universitários; Silva, Mário, 1945,Teoria do Campo Electromagnético –  volume I 
– Maxwell-Lorentz-Einstein, Coimbra; Silva, Mário, 1947, Teoria do Campo Electromagnético –  volume II – Coulomb-
Derster-Ampère, Coimbra; Silva, Mário, 1947, Teoria do Campo Electromagnético –   volume III – Faraday-Steinmetz-
Hertz, Coimbra.  
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 Mário Silva é o primeiro professor de Física a introduzir o ensino da Cinemática Relativista numa disciplina 
de Física Geral. 

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