Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
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Laboratório Curie. Neste último artigo que aparece na primeira página de um dos últimos 
número da curta existência deste jornal, Valadares, numa linguagem simples e pontuada 
com exemplos da sua experiência de trabalho junto de Mme Curie, acentua o carácter 
colectivo da investigação científica contemporânea: 
«Esta laboração colectiva da investigação científica constitui sem dúvida, um dos 
factores primaciais do alto rendimento que a investigação atingiu nos últimos anos 
(…) ao fazer-se a história da Física contemporânea há que atender, para ser justo
ao apreciar a obra de cada um, não só aquele que assinou mas ainda à obra de 
carácter colectivo em que tomou parte. A primeira é sempre a mais notória mas a 
segunda, por vezes, não é menos útil à humanidade» (VALADARES, 1940).  
De entre vários artigos, Bento Caraça apresentou,  no último número do ano de 
1938, uma cuidada recensão crítica ao livro de Einstein  e Infeld «A Evolução da Física» 
(edição francesa); note-se que este livro fora publicado nesse mesmo ano
16
. Esta recensão, 
num jornal deste tipo, assume a forma de um pequeno artigo claríssimo sobre o significado 
das grandes revoluções na Física desde Galileu a Schrödinger, onde, sem a pretensão de 
conclusão, Caraça, finaliza: 
«(…) ele é simplesmente empolgante e recomendamos vivamente a sua leitura. Esta 
mesma atitude nos coloca inteiramente à vontade para formular reparo a uma falta 
que nos parece grave. 
Não transparece da leitura a mais pequena relação do trabalho do físico com a vida 
do seu tempo. Parece que o cientista, investigador e interpretador da realidade física, 
vive à parte, numa célula privilegiada do espaço-tempo, onde não chega o rumor 
das lutas e dos sofrimentos dos homens, das suas aspirações, dos seus fracassos e 
dos seus triunfos, da maneira como trabalham e se organizam» (CARAÇA, 1938). 
No número 302 aparece, assinado por António Aniceto Monteiro  «Etapas da 
investigação matemática em Portugal»…  
Apesar de ser um colaborador activo n’
O Diabo, Abel Salazar  está muito mais 
comprometido com o projecto editorial do 
Sol Nascente
17
: o projecto está sediado  no Porto 
e, logo no seu segundo número, aparece uma secção designada por «Revista de Ideias» com 
a sua assinatura. Uma outra secção, subscrita pelo mesmo autor, «O movimento científico 
                                                           
16
 A edição original, em língua inglesa, é de 1938 (
The Evolution of Physics, Nova Iorque, Fimon & Schuster); a 
francesa é do mesmo ano (
L’Évolution des Idées en Physique, Paris, Flammarion). Quanto à edição portuguesa de 
A Evolução da Física, ela só aparece na década de cinquenta sob a chancela dos  Livros do Brasil, s.d..  
17
 
Sol Nascente, quinzenário de ciência, arte e crítica foi fundado no Porto a 30 de Janeiro de 1937 e é encerrado a 
Março de 1940; inicialmente com a direcção «exercida por um grupo de discípulos de esquerda de Abel 
Salazar» , passando, a partir de 1938 a ser o órgão da nascente geração neo-realista de Coimbra o que faz que, 
embora com sede no Porto, a sua redacção efectiva passa a ser em Coimbra. Tal como a 
O Diabo, a censura 
obriga-o também a encerrar as portas. 

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