Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
[83] 
 
da imprensa cultural como é o caso d’ 
O Diabo e Sol Nascente (ambos nascem e morrem na 
segunda metade da década de trinta) e da 
Seara Nova que nascida no princípio dos anos 
vinte atravessará toda a ditadura e viverá ainda o 25 de Abril de 1974.  É, de facto, nas 
páginas destas revistas, bem como de outras que se lhes seguirão, que se pode medir o 
esforço feito para difundir publicamente ideias  científicas e de filosofia da ciência
12

enquanto temas importantes da cultura contemporânea. Aflorar-se-á, à laia de exemplo, o 
caso dos dois jornais primeiramente referidos. 
O Diabo
13
, inicialmente um «Semanário de crítica literária e artística»,  em meados 
da sua existência passou a incluir  em epígrafe  a sua dedicação «às Ciências». Tal mudança, 
embora bastante efémera, mostra a importância que, na sua colaboração, tinha o 
pensamento científico contemporâneo, e este facto ficou a dever-se, no essencial, à 
colaboração de Abel Salazar
14
. Da sua colaboração, na temática científica, podem destacar-
se os títulos: «Simultaneidade, Causalidade e Complementaridade», «Os precursores: 
Lobatchewsky, Riemann; as geometrias não-euclideanas e a sua significação filosófica», «Os 
precursores: Whitehead e Russell; a Logística», «O Microcosmos: a Matéria, a Teoria dos 
Quanta e o Heisenbergismo», «De como um elevador, um arranha-céus, vai introduzir o 
leitor na Teoria Geral da Relatividade», «Boltzmann e Heisenberg: a crise do determinismo; 
causalidade e probabilidade»
15
. A partir de Maio de 1938,   
O Diabo  cria uma página, 
intitulada «Cultura Científica», onde os aspectos filosóficos da ciência contemporânea são 
tratados, recorrendo-se muitas vezes a  extractos de artigos e notícias publicados em jornais 
franceses, e onde também são dadas algumas notícias que envolvem a ciência portuguesa. 
Pelo teor do que foi publicado advinha-se que Abel Salazar  é a alma desta página. Nas  
páginas deste jornal colaboraram Aurélio Quintanilha, Bento de Jesus Caraça, Ruy Luís 
Gomes  e Manuel Valadares.  Deste último destaque-se um texto sobre Ampère, 
assinalando o centenário da sua morte, e um outro sobre as recordações da sua estadia no 
                                                           
12
 Cf. FITAS, RODRIGUES e NUNES, 2000. 
13
 
O DIABO  publicou-se em Lisboa entre 1934 (2 de Junho) e 1940 (21 de Dezembro) e intitulou-se 
«Semanário de crítica literária e  artística»,  entre os números 142 e 161 passou a ostentar o subtítulo 
«Semanário cultural de crítica livre às Artes, às Letras e às Ciências» para, até ao seu último número se intitular 
«Semanário de Literatura e crítica ». Foi dirigido sucessivamente por  Artur Inez  (até ao nº58), Ferreira de 
Castro (até ao nº63), Rodrigues Lapa (do nº73 até ao nº140). O seu último director (a partir do nº 275) foi 
Manuel Campos Lima. Foi um jornal sempre com preocupações políticas e sociais, manifestando sempre uma 
posição antifascista. O ter assumido sempre, e de um modo crescente, a contestação ao salazarismo conduziu 
à proibição da sua publicação pela censura.  
14
 A contribuição do Prof. Abel Salazar neste semanário iniciara-se anteriormente com artigos do domínio da 
crítica e ensaísmo artístico. 
15
  Capítulos de uma série, publicada ao longo de cinquenta números do jornal, intitulada «Pensamento 
Positivo Contemporâneo». 

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