Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
[82] 
 
Com o trabalho de investigação bem alicerçado e com uma equipa produzindo 
resultados, Valadares saltou para a criação da 
 Portugaliae Physica.  
O segundo é António Aniceto Monteiro que, apesar das dificuldades extremas em 
que vivia, galvanizou pelo seu entusiasmo toda uma geração de jovens matemáticos
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, onde 
avultam, entre outros, as figuras de Sebastião e Silva e Hugo Ribeiro, destacando-se pelo 
seu pioneirismo nas iniciativas científicas e na forma como lançou as bases do que chamava 
o Movimento Matemático. Das palavras escritas por Monteiro na secção «Movimento 
Matemático» da Gazeta Matemática, retirámos dois extractos que exemplificam a sua 
atitude: 
 «Pensou-se há algum tempo em publicar um jornal –que teria por título 
Movimento Matemático- destinado a lançar uma campanha para uma reforma dos 
estudos matemáticos em Portugal e a fazer a propaganda  das principais correntes 
do movimento matemático moderno. 
(…) É precisamente pelo estudo, pelo trabalho de investigação e pela propaganda 
das matemáticas, que se pode preparar o ressurgimento dos estudos matemáticos, 
em Portugal, mas importa evidentemente orientar a nossa actuação pelas lições que 
nos são dadas pela nossa experiência e pela experiência das outras nações. Há que 
definir um rumo, e segui-lo enquanto a experiência mostrar que estamos no bom 
caminho! (…)» (in GM, 10, 1942). 
Tal como para Valadares, para Monteiro o acto de investigar definia a atitude 
inteligente do homem perante o mundo: 
Ser investigador é um dever de todo o cidadão consciente das suas 
responsabilidades perante a sociedade, porque ser investigador é adoptar uma 
atitude crítica, perante a vida e o conhecimento, para chegar a novas conclusões. 
Mas é claro que para investigar, em certos capítulos da ciência, é ne-cessário uma 
preparação especial, um longo treino, uma escola (…) 
Existem, na realidade, investigadores sem qualidade para o ensino, mas nenhum 
professor poderá iluminar as suas lições com cores vivas e profundas se não tiver 
vivido os problemas que trata, se não tiver investigado na disciplina que professa 
(…)» (
in GM, 21, 1944). 
Pela clareza dos seus propósitos, pela vontade em alterar a situação de atraso, pela 
sua militância activa por uma cultura científica, os bolseiros, pelo menos alguns deles, vão 
assumir uma participação activa no movimento de resistência cultural e cívica que grassava 
no país. Um movimento que, a par de outras iniciativas, se manifestará sobretudo através 
                                                           
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  Aquilo que se viria a chamar o Movimento Matemático dos anos 40. Pela sua acção no CEML foi o 
responsável por um forte fluxo de bolseiros, no início dos anos quarenta, para estudar Matemática no 
estrangeiro: Hugo Ribeiro  (em Zurique);  José Ribeiro de Albuquerque, José Sebastião e Silva  e Virgílio 
Barroso (em Roma).  

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