Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
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recrutam à sua imagem e semelhança», segundo Aurélio Quintanilha) que foi, tal como 
escreveu um dos seus fundadores,  António da Silveira, «encabeçada por Vitor Hugo de 
Lemos, a tal ponto que Carneiro Pacheco, o Ministro da Educação na época, chegou a 
declarar: “vou legislar sobre o ensino superior particular”» (SILVEIRA,  1976: 24)
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Contrariamente a esta reacção, o presidente do IAC de então, Professor Celestino da Costa, 
reconhecia méritos à acção deste grupo que constituía uma tentativa de «organizar a 
investigação nas ciências matemáticas, físicas e químicas  em bases extra-escolares, embora 
com sede nas universidades a que pertenciam os investigadores» (COSTA, 1939: 13).  O 
objectivo do grupo pode ser interpretado como uma forma de pressionar o poder 
instituído nas Escolas para uma actividade científica livre, aberta à discussão e aos novos 
conhecimentos, inaugurando uma prática de seminário até aí inexistente nas escolas 
portuguesas. Não admira, portanto, que muitos jovens, captados por esta nova forma de 
debater os temas científicos, frequentassem as suas sessões.  
A actividade do Núcleo vai ser determinante em alguns aspectos da prática futura 
que se avizinha, a saber: no estreitamento de relações entre os investigadores das três 
universidades; na criação de condições para o aparecimento de  Centros de investigação 
financiados pelo IAC; no lançamento de uma imprensa científica moderna e, 
consequentemente, nos contactos com os investigadores estrangeiros. A acção do Núcleo 
foi efectivamente o pilar da  organização de estruturas de suporte à actividade de pesquisa. 
E a prová-lo estão as notas pessoais de Bento de Jesus Caraça
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 que são elucidativas sobre 
alguns dos propósitos implícitos no agir do grupo de fundadores: insistência numa ligação 
mais orgânica de toda a actividade às instituições onde se deveria praticar a investigação, 
isto é, às Faculdades. 
E os acontecimentos vão precipitar-se: em 1937 é fundada a 
Portugaliae 
Mathematica; em 1938 inicia-se na Faculdade de Ciências o Seminário Matemático de Lisboa que 
toma, em Novembro de 1939, o nome de 
Seminário de Análise Geral; ainda em 1938 nasce no 
Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras o 
Centro de Estudos de Matemáticas 
Aplicadas à Economia, cujo primeiro presidente é Bento de Jesus Caraça; em Janeiro de 1939 
nasce a 
Gazeta de Matemática; em Fevereiro de 1940 é fundado pelo IAC o Centro de Estudos 
Matemáticos de Lisboa bem como o Centro de Estudos de Física (in GM, 10, 1942)em Fevereiro de 
                                                           
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 Victor Hugo de Lemos, oficial do exército e Licenciado em Matemática pela FCUL, professor catedrático de 
matemática da  mesma faculdade, foi Ministro da Instrução da Ditadura Nacional entre 21/12/29 e 
21/12/30,  era um apoiante do regime.   
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 «1937 (…) Começam os sintomas de desinteligências por haver quem não desista de ir para a Faculdade 
(Monteiro e Valadares) (…)»(MASCARENHAS, 1997:  31)  

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