Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
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ciências, das Letras e das artes, desde 1789 até ao primeiro ano X da Vendeia (1802)». O 
célebre naturalista Georges Cuvier (1769-1832), enquanto secretário perpétuo da secção de 
ciências, elaborou essa compilação com base nos relatórios anuais. A essa obra de quatro 
volumes  foi atribuído em 1828 o título  
Histoire des progrès des Sciences naturelles de 1789 jusqu’à 
nos jours. Também em 1803  J. B. Biot (1774-1862) publicou uma curta Histoire générale des 
sciences pendant la Révolution.  O mesmo Georges Cuvier deu,  no Collège de France,  um 
curso sobre a história da sua disciplina que viria a ser publicado postumamente em 1832 
sob o título 
Histoire des Sciences naturelles depuis leur origine jusqu’à nos jours chez tous les peuples 
connus e que é composta por cinco tomos.   
Foi, em 1837, que, segundo Georges Sarton, apareceu a primeira história moderna 
da Ciência, e onde pela primeira vez é introduzido o termo «cientista», a 
History  of the 
inductive  Sciences. O seu autor, William Whewell (1795-1866), apresenta a obra do seguinte 
modo: 
«Já  disse na introdução que o presente trabalho não é uma mera narrativa dos 
factos na história da ciência, mas uma base[entendido aqui como alicerces] para a 
Filosofia da Ciência. Parece-me que o nosso estudo sobre os modos de descobrir 
a verdade deve assentar num levantamento das verdades que, entretanto, já foram 
descobertas. Esta máxima parece suficientemente evidente; contudo, mesmo até 
ao presente, raramente tem sido entendida como tal»
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Havia que compulsar e confrontar os vários processos de descoberta nas 
diferentes ciências, recorrendo-se, portanto, a conhecimentos sobre o seu passado e 
avançando com as consequentes interpretações. É esta nova atitude, interpretação e 
compreensão do passado, embora com propósitos filosóficos, que confere à narrativa, ao 
conjunto de memórias, a natureza de um conhecimento histórico. O mesmo autor, numa 
outra obra publicada posteriormente, exactamente sobre filosofia das ciências, explicitava 
ainda melhor  a relação ente a história das ciências e a filosofia da ciência. Escrevia:  
. «Os avanços que nos últimos três séculos foram feitos nos domínios das ciências 
físicas ─ na Astronomia, na Física, na Química, na História Natural, na Fisisologia  
─  que todos concordam serem reais, grandiosos  e surpreendentes; mesmo que 
não o fossem, é caso para perguntar se estes degraus no sentido do progresso não 
têm entre si qualquer coisa de comum?  Existirá um processo comum em cada 
movimento deste avanço, um princípio comum qualquer? Terá o organismo, 
responsável por estas descobertas, qualquer coisa de uniforme  na sua estrutura e 
                                                           
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 «I have already said, in the Introduction, that the work aimed at being, not merely a narration of the facts in 
the history of Science, but a basis for the Philosophy of Science. It seemed to me that our study of the modes 
of discovering truth ought to be based upon a survey of the truths which have been discovered. This maxim, 
so stated, seems sufficiently self-evident ; yet it has, even up to the present time, been very rarely acted on» 
(WHEWELL, 1875: 8). 

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