Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
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universo, sobre o atributo da intelligentsia supramundana, em relação com um mundo 
harmonioso, ordenado e perfeito. Na terceira carta Leibnitz volta à carga, sendo contestado 
por Clarke na réplica seguinte. Subsiste no entanto o problema do termo empregue que 
parece só se vir a clarificar nas duas últimas cartas; a vis viva não tem efectivamente o 
mesmo significada para os dois autores, cada um referia-se a uma grandeza diferente, isto é, 
mesmo sob o ponto de vista matemático seria impossível entenderem-se. 
Para Leibnitz a conservação da vis viva correspondia a um princípio fundamental 
de harmonia pré-existente, necessário para a explicação do universo ordenado. Só a ordem 
estaria de acordo com a  ideia de perfeição de Deus. Clarke recusa este conceito de 
harmonia pré-estabelecida, mais, argutamente, na sua quarta carta mostra que há situações 
onde a vis viva de Leibnitz não se conserva. Conclusão, a própria natureza, entendida 
exclusivamente como máquina regida pelas leis da mecânica, encarrega-se de demonstrar a 
não existência deste princípio  geral. Mas Leibnitz não aceita facilmente esta refutação e 
contesta as opiniões do seu adversário, propondo, sem sustentação experimental ou 
matemática, um mecanismo de formas de transferência de energia que justifiquem a 
invariância global desta grandeza.   
O que está patente em toda a polémica são as bases de duas concepções 
científicas opostas: a defesa de um princípio geral, sem evidência empírica, defendido 
metafisicamente; ou, ao contrário, a defesa de leis naturais suportadas na evidência 
empírica, formuladas matematicamente. Em Leibnitz o princípio da conservação, suporte 
da sua concepção física do mundo, é sustentado por uma argumentação exclusivamente 
metafísica. Há uma falha de manifestação empírica capaz de corroborar qualquer princípio 
da conservação como princípio geral da natureza. O próprio Clarke chama a atenção do 
que se passa com os choques não elásticos, mas a defesa de Leibnitz contem em si os 
fundamentos da conservação de uma energia mais geral que só dois séculos volvidos se 
viria a compreender fisicamente. Para Newton (Clarke) o comportamento da natureza 
determinava-se pelo jogo dinâmico das forças e do movimento, havia mudança e, embora 
das leis da mecânica se pudesse deduzir os princípios da conservação, a natureza não se 
mostrava conforme à conservação. Empiricamente tudo se sustentava pelas forças e pelo 
movimento. 
Como se sabe, ainda no séc. XVIII, a formulação vectorial da mecânica de 
Newton dá origem à formulação escalar desta mesma disciplina feita por Lagrange, onde as 
equações  do movimento se deduzem com base no conceito de energia, eliminando-se a 

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