Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
[71] 
 
A existência do espaço e tempo absolutos constitui um dos pilares da mecânica 
newtoniana.  A oposição de Leibnitz a estes conceitos, propondo, em alternativa, a sua 
teoria relacional do espaço-tempo, suportada pelos dois princípios metafísicos, o Princípio 
da Razão Suficiente e o Princípio da Identidade dos Indescerníveis, constitui um marco 
importante na contestação às ideias de Newton. Leibnitz retira-lhe o atributo de absoluto
coloca-o na dimensão dos corpos conhecidos e, não explicitamente, subtrai-o à alçada da 
divindade. A contestação de Clarke aos argumentos do seu opositor está na sua última carta 
«(...) 
e é evidente que se o movimento fosse circular produziria uma vis centrifuga em todas as partes»
117

Não refutando os argumentos cinemáticos de Leibnitz, recorre ao argumento dinâmico, e 
decisivo, empregue por Newton nos Principia. A consistência dos argumentos cinemáticos 
leibnitzianos levantam duas questões importantes: (a) a impossibilidade de se provar 
cinematicamente, pelo movimento, a existência de um referencial absoluto; (b) a 
necessidade da medida física, comparar distâncias e tempos, para produzir argumentos 
físicos. O último argumento de Clarke não pôde ser refutado por parte do seu opositor
embora na sua última réplica Leibnitz se furtasse a responder aos argumentos dinâmicos 
expostos pelo seu opositor. Se Leibnitz tivesse podido responder à quinta carta de Clarke, 
deveria escrever qualquer coisa de equivalente ao que já tinha feito numa carta endereçada a 
Huyghens (outro crítico das concepções Newtonianas): «(...) 
Quanto à diferença entre movimento 
absoluto e relativo, creio que se o movimento ou a força responsável pelo movimento dos corpos é qualquer 
coisa de real como se deve reconhecer, é necessário que ela possua um sujeito. Porque a e b indo um contra o 
outro, acrescento que a todos os fenómenos acontecerá o mesmo, qualquer que seja aquele que esteja em 
movimento ou repouso; e quando existirem 1000 corpos, estou de acordo que os fenómenos não saberão 
fornecer (nem mesmo aos anjos) uma razão infalível para determinar o sujeito do movimento ou do seu grau, 
e que cada um poderia ser concebido à parte como estando em repouso, mas não negais que cada um tem um 
certo grau de movimento ou, se preferis, de força, não obstante a equivalência de hipóteses. É verdade que 
concluo que na natureza há mais qualquer coisa que a Geometria não pode determinar. E por entre várias 
razões que me sirvo para provar que para além da extensão e das suas variações, que são entidades 
puramente geométricas, é preciso reconhecer qualquer coisa de superior que é a força, e esta não é das 
menores. O Senhor Newton reconhece a equivalência das hipóteses no caso de movimento rectilíneo, mas no 
que diz respeito  ao movimento circular, ele crê que o esforço que fazem os corpos circulantes em se afastarem 
do centro ou do eixo de circulação é prova do seu movimento absoluto. Mas tenho razões que me permitem 
acreditar que nada romperá com a lei geral da equivalência (...)»
127
. Leibnitz procurava afanosamente 
                                                           
127
 in Max Jammer (1954). 
Concepts of Space. Harvard: Harvard University Press, 119 

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