Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
[7] 
 
Uma história da ciência, entendida como a «crónica dos acontecimentos 
científicos», despojada de conjecturas interpretativas mas plena de conteúdo informativo,   
é talvez a versão privilegiada por muitos para  apresentar diferentes temáticas do 
conhecimento da filosofia natural e suas aplicações. Há exposições históricas em quase 
todos os domínios técnico-científicos, da matemática à medicina, da astronomia à química. 
Em Goettingen, graças à acção da universidade, nasceu um projecto que foi  organizado 
por um grupo de professores, sob o título geral de 
História das Artes e das Ciências desde o seu 
renascimento até finais do século XVIII,  e que deu origem a um conjunto de publicações 
especializadas, como por exemplo a 
História das  Matemáticas de Abraham Kastner (1719-
1800),  publicada em quatro volumes (1796-1800). Nesta publicação estão englobadas áreas 
como a mecânica, a astronomia e uma parte da física. Também, integrada no mesmo 
projecto, o químico Johann Friedrich Gmelin (1748-1804) publicou em três volumes, entre 
1797 e 1799, uma 
História da Química desde o seu renascimento até finais do século XVIII. Estas 
obras são, ainda hoje, utilizadas como referências fundamentais da memória histórica das 
diversas disciplinas.  

Nova Atlântida de Francis Bacon, publicada em 1627, expunha a utopia de uma   
terra prometida, aquilo que seria no futuro o mundo do conhecimento e das descobertas 
científicas feitas pelo homem. Todavia,  é através da ideia de progresso ditada pelo 
optimismo da razão, tal como a conceberam os espíritos iluminados do século XVIII, que 
essa utopia se vislumbrava como possível de ser alcançada pela realidade dos novos  
avanços das ciências. É no texto de Condorcet  (1743-1794), um dos homens mais 
influentes nos primeiros anos da França revolucionária, 
Esquisse d’un tableau historique des 
Progrès de l’esprit humain, publicado postumamente em 1795, que essa transição, entre a 
utopia sonhada  e o progresso possível, aparece historicamente melhor exposto.  É dele a 
frase: 
«Os progressos das ciências asseguram os progressos da arte de instruir, e estes 
por seu turno aceleram em seguida o das ciências; e esta influência recíproca, cuja 
acção se renova constantemente, deve colocar-se no número das causas mais 
activas, mais poderosas da espécie humana»
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É nesta mesma França revolucionária,  em Março de 1802, que um decreto 
governamental encarrega o Instituto Nacional (entidade que, com a mudança política, 
substituiu a Academia Real) de elaborar «um quadro geral do estado e dos progressos das 
                                                                                                                                                                          
déviations et préversions, c’est-à-dire que l’histoire des sciences est déjà élargie jusqu’à devenir une sorte 
d’histoire des idées. Le mauvais usage de la raison est aussi instructif que le bon » (GUSDORF, 1988: 64). 
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 (CONDORCET, 1946: 235). 

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