Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
[69] 
 
argumentativa utilizada por Clarke sobre a natureza e propriedades do espaço absoluto leia-
se o que escreve no artº 46: «
Como o espaço finito não é a extensão dos corpos, mostrei-o acima, no 
parágrafo 40. E os dois parágrafos seguintes também, basta comparar com o que já foi dito»
121
; e nesses 
parágrafos repetem-se posições...    
Nos artº 52-53 Clarke, em resposta ao que Leibnitz defendeu sobre a 
possibilidade de observação dos diferentes estados do movimento, não aduz novos 
argumentos, limita-se a remeter o seu opositor para o que  escrevera anteriormente, bem 
como a lançar o seguinte convite: «
deixo o juízo para aqueles que pretendem comparar o que este 
sábio escritor [Leibnitz] alega com o que Sir Isaac Newton diz nos seus Principia»
122
. Esta economia 
de explanação argumentativa é muito usada nesta carta onde Clarke em diferentes ocasiões 
remete  o leitor para o exposto noutros artigos. Parece haver uma vontade expressa em 
terminar a controvérsia. 
Nos artº s99-103 Clarke riposta sobre o problema da conservação da força activa. 
Interpretando este termo como a quantidade de movimento, o produto da massa pela 
velocidade e não  o produto da massa pelo quadrado da velocidade, Clarke sustenta que 
nos choques não há diminuição natural desta grandeza, há conservação.  Todavia, citando a 
segunda lei de Newton, a força é proporcional à variação da quantidade de movimento, e se 
no universo existem forças, então terá que haver variação da quantidade de movimento, 
logo não há invariância. O discípulo de Newton nega a conservação como princípio 
fundamental regulador do movimento universal, para terminar com a pergunta: «
não tem 
Deus a liberdade para fazer a natureza, que deve continuar na sua presença o tempo que lhe aprover, 
podendo ser alterada de qualquer modo que ele queira?»
123

Nos artº 110-116 Clarke vai retorquir sobre as diferenças «
entre que é miraculoso e o 
que não é»
124
. Pronunciando-se sobre a atracção  gravítica diz: «
não é razoável chamar à atracção 
um milagre (...) pois, por este termo não se pretende exprimir a causa dos corpos tenderem uns para os 
outros, mas simplesmente o efeito, ou o próprio fenómeno e as leis dessa tendência descoberta pela 
experiência, qualquer que seja a sua causa»
125
. Será mais razoável defender esta força ou o 
estranho fluido avançado por Leibnitz, ou ainda «
uma tão estranha hipótese como a harmonia 
praestabilita»
126

                                                           
121
 (Ibid.:104). 
122
 (Ibid.:105). 
123
 (Ibid.:113). 
124
 (Ibid.:114). 
125
 (Ibid.:115). 
126
 (Ibid.:115). 

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