Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
[68] 
 
exactamente iguais em diferentes posições no universo?»
114
. Mais uma vez recusa a aplicação do 
Princípio da Razão Suficiente tal como Leibnitz o fizera. 
Em resposta aos artº 21-25 da carta de Leibnitz, Clarke joga com os argumentos 
do opositor: primeiro, «
é possível que Deus tenha feito dois corpos exactamente iguais»
115
; mas 
Leibnitz não o admite, pois isso implicaria que Deus actuaria sem uma razão; finalmente, 
remate conclusivo de Clarke «
como é que ele [Leibnitz] sabe que não seria razoável Deus actuar desta 
forma?»
116
. Clarke usando os próprios argumentos de Leibnitz vai conduzi-lo a uma 
contradição: como é possível limitar as acções infinitas de Deus à vontade do filósofo 
alemão?  Nestes artigos não há qualquer referência ao problema dos átomos levantado pelo 
seu opositor, Clarke não adianta qualquer argumentação sobre esta questão. 
A argumentação de Clarke contra os artº 26-32 de Leibnitz desenvolve-se no 
sentido de o enredar numa contradição subtil: como Leibnitz parte da suposição que dois 
corpos idênticos são indescerníveis, a ele «
é permitida como possível uma suposição, no entanto a 
mim não me é permitida tal suposição»
117
, neste caso a hipótese contrária; porque partindo desta 
é legitimada a existência de corpos iguais e distinguíveis entre si, como pretendia Clarke. Ao 
facto de ser impraticável observar exteriormente o movimento do universo, Clarke 
contrapõe: «
se o movimento do todo aumentasse ou diminuísse, haveria o choque  das suas partes; e é 
evidente que se o movimento fosse circular produziria uma vis centrifuga em todas as partes»
118
; devendo, 
portanto, existir um referencial privilegiado, em relação ao qual todas as mudanças são 
detectadas. Clarke utiliza o argumento semelhante ao já usado por Newton no Scholium 
dos Principia, a água rodando no interior do balde. Este é o grande argumento dinâmico 
em prol do espaço absoluto e, estranhamente, só é utilizado na última carta da polémica. 
Leibnitz, porque já o conhecia, aludiu ao conteúdo do Scholium na sua carta anterior. 
Os artº 36-48 contem uma resposta de Clarke, de argumentação sofrível, onde, 
fundamentalmente, se afirma alguns dos princípios newtonianos da mecânica: «
o espaço não é 
a afecção de um corpo (...) mas é sempre invariavelmente a imensidade de um só e sempre o mesmo 
immensum»
119
 e «
Deus não existe no espaço e no tempo, mas a sua existência é a causa do espaço e do 
tempo»
120
. Não há nenhuma crítica explícita ao espaço relacional de Leibnitz, mas uma 
repetição do que Newton escrevera nos Principia. Para exemplificar a pobreza 
                                                           
114
 (Ibid.:98). 
115
 (Ibid.:99). 
116
 (Ibid.:100). 
117
 (Ibid.:100). 
118
 (Ibid.:101). 
119
 (Ibid.:103). 
120
 (Ibid.:104). 

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