Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
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o cerne do exemplo aventado por Clarke, esquivando-se Leibnitz a rebater o argumento 
dinâmico que nele estava implícito.   
Nos artº 99-102 Leibnitz responde à não conservação da força activa sustentada 
por Clarke. É categórico na defesa da conservação de força activa, desenvolvendo o 
raciocínio seguinte: os corpos como um todo perdem, de facto, a força activa, mas esta não 
é destruída, ela será absorvida pelas partes que constituem os corpos. Aquilo  que hoje 
poderia enunciar-se: uma parte da energia do movimento é absorvida, na forma de energia 
interna, pelos corpos em presença.  
Nos artº 104-106 Leibnitz defende o espaço e tempo como medidas de ordem
enquanto que no artº 118-123, referindo-se à atracção gravítica, escreve «
se os meios que 
provocam a atracção propriamente dita forem constantes e ao mesmo tempo, sendo verdadeiros, são 
inexplicáveis pelo poder dos homens,  devem ser considerados milagres»
111
. Afirmando mais uma vez a 
sua não aceitação da  força gravítica como causa natural de movimento, apelidado-a de 
«
entidade quimérica, qualidade escolástica e oculta»
112
.    
12.
  Clarke (quinta réplica). Esta é a última peça da controvérsia e que Leibnitz 
não chegou a ler porque, entretanto, morreu. À cabeça depara-se com um curto período 
onde o autor se propõe responder a todas as objecções de uma forma breve, pois «
muitas 
palavras nunca foram um argumento de ideias claras de quem as escreve»
113
. É um comentário jocoso 
perante a longa carta anterior de Leibnitz ou, o reconhecimento de que a polémica chegara, 
independentemente da morte de um dos intervenientes, ao fim, devido às posições 
irreconciliáveis expressas por ambos? Haverá, por certo, várias interpretações para este 
comentário inicial de Clarke, mas um facto é indesmentível: não se enquadra no tom a que 
este autor nos habituou ao longo de toda a controvérsia. Se a última carta de Leibnitz é 
extensa, a peça mais longa de toda a polémica, repleta de argumentos, a última réplica de 
Clarke, embora também extensa, é relativamente mais parcimoniosa na sua riqueza 
argumentativa.    
Inicialmente, nos primeiros vinte artigos, Clarke reitera a diferença entre seres 
passivos e activos o que possibilita a decisão perante situações perfeitamente indiferentes: 
«
como  pode alguém dizer que é impossível Deus ter boas razões para criar tantas partículas materiais 
                                                           
111
 (Ibid.:94). 
112
 (Ibid.:95). 
113
 (Ibid.:97). 

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