Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
[66] 
 
propriedade ou afecção que passa de um sujeito para outro»
102
. Em seguida escreve que não se pode 
confundir imensidade com a extensão dos corpos e, distingue dimensão de localização: o 
«
espaço infinito não é a imensidade de Deus; espaço finito não é a extensão dos corpos: tal como tempo não 
é duração. Os corpos possuem extensão; mas não possuem o seu próprio espaço. Tudo tem a sua própria 
extensão e duração, mas não tem o seu próprio tempo e o seu próprio espaço»
103
. A negação do espaço 
absoluto e a defesa de uma concepção relativa do espaço e tempo inerente a qualquer 
corpo (a qualquer referencial) é exposta do seguinte modo (art47): (a) perante a existência 
de vários corpos estabelecem-se as relações de posição; (b) os corpos mudam de posição; 
(c) de entre os diferentes corpos que coexistem alguns não sofrem qualquer mudança; (d) 
aqueles que mantém as mesmas relações com os corpos fixos ocupam a mesma posição; (e) 
«
e ao conjunto de todas as posições chama-se espaço»
104
; (f) em conclusão, para «
estabelecer a ideia de 
lugar, e consequentemente de espaço, é suficiente considerar estas relações, e as regras da sua variação, não 
há qualquer necessidade de invocar uma realidade absoluta fora das coisas que estão sob nossa 
consideração»
105
.  
Nos artº 52-53 Leibnitz responde a Clarke sobre o argumento da 
indescernibilidade de dois estados de movimento para um observador situado no interior 
de uma cabina fechada de um navio. A réplica assenta no argumento que «
o movimento não 
depende de quem o observa, mas depende da possibilidade de ser observado»
106
; se não há qualquer 
variação observada, não pode existir movimento, «
o contrário baseia-se na suposta existência de 
um espaço absoluto real»
107
. Dirigindo-se a Newton refere que «
não encontra nada na oitava 
definição dos Principia, nem no Scholium que prove ou possa provar, a realidade do espaço em si»
108
. No 
entanto reconhece a diferença entre «
movimento absoluto de um corpo e uma variação relativa de 
posição em relação a outro corpo»
109
, definindo-a do seguinte modo: «
quando a causa da variação [do 
movimento] está no corpo, o corpo está em movimento absoluto; e a situação dos outros corpos em relação a 
este variará consequentemente, embora a causa da variação não esteja neles»
110
. Persiste o problema: 
como verificar o efeito que permite identificar a causa provocadora do movimento. Este é 
                                                           
102
 (Ibid.:67). 
103
 (Ibid.:69). 
104
 (Ibid.:69). 
105
 (Ibid.:69). 
106
 (Ibid.:74). 
107
 (Ibid.:74). 
108
 (Ibid.:74) 
109
 (Ibid.:74). 
110
 (Ibid.:74). 

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