Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
[65] 
 
as suas mudanças absolutas. Sobre o movimento, e após negar que tudo o que é finito tem 
movimento, define-o como a «
mudança de situação em relação a qualquer coisa, o que implica um 
novo estado discernível do primeiro: caso contrário a mudança é pura ficção»
98
.  
Os artº 33-35 discutem o problema do espaço vazio, refutam o silogismo expresso 
por Clarke no artº 7 da carta anterior. Leibnitz menciona as experiências de Guericke e de 
Torricelli, tidas como demonstradoras da existência de vazio, como não concludentes 
quanto à existência do vácuo. Segundo ele «
o vidro tem pequenos poros que os feixes de luz, os 
eflúvios do íman e outros fluidos subtis podem atravessar»
99
, logo, ao extrair-se o ar, a matéria que 
toma o seu lugar é muito mais subtil. Daqui passa a algumas considerações sobre a causa 
do peso das substâncias, é importante citar o próprio autor: «
quer o mercúrio quer a água são 
substâncias de matéria pesada, cheias de poros, através dos quais passa grande parte  de matéria ausente de 
peso, tal como os raios de luz e outros fluidos insensíveis, e especialmente aqueles que em si provocam a 
gravidade dos corpos pesados»
100
. Poder-se-ia dizer que, para Leibnitz, o vazio seria o éter 
gravítico. Seguem-se algumas considerações sobre a natureza da força gravítica: «
É preciso 
uma imaginação estranha para fazer com que toda a matéria gravite, uma em direcção à outra, como se 
qualquer corpo atraísse os outros de acordo com as suas massas e a distância, e isto devido a uma atracção 
propriamente dita que não deriva de um impulso oculto entre os corpos; a gravidade dos corpos sensíveis em 
direcção ao centro da terra deve ser produzida pelo movimento de qualquer fluido»
101
. Para Leibnitz
como ele próprio faz questão de sublinhar, um corpo nunca inicia o seu movimento 
naturalmente, excepto quando um outro o toca, empurrando-o, persistindo o movimento 
até encontrar de novo um outro corpo com o qual contacta.  
Os artº 36-48 são reservados a questionar as propriedades do espaço que lhe 
tinham sido conferidas por Clarke nos artº 8-9 da réplica anterior, expondo Leibnitz de 
uma forma assaz peculiar a forma como o homem constrói a sua própria noção de espaço, 
enfatizando a concepção de tempo e espaço relacional (ou relativo). Perante a ideia exposta 
por Clarke que o espaço é o atributo de uma substância particular, Leibnitz replica: «
se o 
espaço é uma propriedade ou afecção de uma substância que está no espaço, o mesmo espaço será, algumas 
vezes, a afecção de um corpo, outras vezes de outro, algumas vezes de uma substância imaterial, outras vezes 
do próprio Deus, quando estiver vazio de qualquer outra substância material ou imaterial. É uma estranha 
                                                           
98
 (Ibid.:64). 
99
 (Ibid.:65). 
100
 (Ibid.:66). 
101
 (Ibid.:66). 

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