Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
[64] 
 
o Homem possuem a inteligência que lhes permite decidir perante situações perfeitamente 
indiferentes. A reafirmação do princípio aduzido, e a razão pela qual Deus a ele se tem que 
submeter, é lapidarmente escrita no  artº 19: «
a perfeição de Deus requebre que todas as suas acções 
devam estar de acordo com a sua sabedoria, e que dele não se possa dizer que actuou sem razão, ou até que 
preferiu uma razão fraca perante uma razão forte»
90
.   
Os artº 21-25, dedica-os Leibnitz a responder à situação colocada por Clarke 
sobre a indiferença de posição de dois corpos perfeitamente idênticos, organizando o seu 
raciocínio do seguinte modo: baseado no Princípio da Razão Suficiente não existem na 
natureza dois corpos perfeitamente idênticos, pois, caso existissem, «
Deus e a natureza 
actuariam sem uma razão»
91
; não podem portanto existir corpos que escapem à 
indescernibilidade, donde «
não admito na matéria, partes perfeitamente sólidas, sem possuírem um 
movimento qualquer entre as suas partes, tal como os supostos átomos são imaginados»
92
. Assim, 
finalizando, escreve: na natureza «
não há nada simples, na minha opinião, a não ser mónadas que 
não tem partes nem extensão. Corpos simples, mesmo perfeitamente idênticos, são uma consequência da 
falsa hipótese da existência de vácuo e de átomos ...»
93

Os artº 26-32, são votados por Leibnitz à argumentação de Clarke que «
duas coisas 
podem ser exactamente idênticas e não cessarem de ser duas»
69
  como é o caso de duas partes do 
tempo e de duas partes do espaço. Leibnitz parte da suposição que podem existir dois 
corpos perfeitamente indescerníveis, continuando assim a ser dois, anunciando de imediato 
que «
a suposição é falsa e contrária ao grande princípio da razão»
94
, o princípio da razão suficiente. 
Se anteriormente, no limite da abstracção, é dito que o que existe são mónadas, logo na 
natureza, no universo real,  tudo é composto, portanto discernível, caindo por base a 
existência de corpos indescerníveis, é imediato que não se poderá verificar situações de 
indiferença. Em seguida lança mais uma crítica contra «
a filosofia superficial, tal como a dos 
atomistas e dos defensores do vácuo, que forja coisas que a razão superior não admite»
95
.  
No artº 29  reafirma que é ficção conceber um «
universo finito e material movendo-se no 
espaço vazio»
96
, visto que «
não existe espaço real fora do universo material»
97
. É  impossível a 
observação exterior ao universo finito e material, o que implica a incapacidade de detectar 
                                                           
90
 (Ibid.:60). 
91
 (Ibid.:61). 
92
 (Ibid.:61). 
93
 (Ibid.:62). 
94
 (Ibid.:62). 
95
 (Ibid.:63). 
96
 (Ibid.:63). 
97
 (Ibid.:63). 

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