Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
[63] 
 
Newton no Scholium, do movimento da água no interior de um balde animado de 
movimento de rotação. Este argumento decisivo de Newton pró existência de espaço 
absoluto não será ignorado por Leibnitz na sua última resposta.  
No artº 18 Clarke responde a Leibnitz sobre a contradição avançada por este entre 
a uniformidade e a discernibilidade: «
A uniformidade do espaço não é um argumento contra a acção 
de Deus em qualquer das partes, na forma que lhe aprover»
85
(84); pois, é perfeitamente possível que 
diferentes corpos sejam colocados em lugares perfeitamente idênticos, podendo Deus, 
como ser inteligente e não passivo, ter possibilidades infinitas de actuação.  
No artº 38 Clarke mantém «
dois corpos vazios de elasticidade, chocando um contra outro 
com forças contrárias, ambos perdem o seu movimento»
86
, esta é a lei natural, logo não é possível 
manter a exigência de conservação como uma lei natural. Embora os termos empregues 
sejam bastante imprecisos, Clarke refere-se certamente à não conservação da vis viva nos 
choques não elásticos. Só na última peça da controvérsia, a quinta carta de Clarke, estes 
conceitos aparecem mais clarificados. Contudo Clarke insiste que, artº 31, «
A harmonia pré-
estabelecida é uma mera palavra e não é causa»
87
 de qualquer efeito, não voltando a referir-se às 
forças activas. Resiste à necessidade do tal princípio exigido por Leibnitz, como 
sustentador da ordem e perfeição.  
No artº 41 contra-argumentando a ideia exposta por Leibnitz sobre o tempo, 
enquanto ordem de sucessão dos acontecimentos, Clarke escreve: «
O tempo não pode ser a 
mera ordem de sucessão dos acontecimentos, é evidente; porque a quantidade de tempo pode ser maior ou 
menor (...) a sucessão pode ser rápida ou lenta com a mesma ordem, mas não no mesmo tempo»
88
.  
No artº 45 Clarke defende a existência da gravidade, sem no entanto a classificar 
como uma propriedade dos corpos: «
o meio pelo qual dois corpos se atraem mutuamente pode ser 
invisível e intangível (...) mas actuando regularmente pode chamar-se de natural»
89

11.
  Leibnitz (quinta réplica). O número de artigos cresce até 130. Nesta última 
carta, ao contrário de todas as outras, Leibnitz menciona os artigos da epístola anterior de 
Clarke em relação aos quais dirige a sua argumentação.  
Os seus primeiros vinte artigos são dedicados a reafirmar o Princípio da Razão 
Suficiente, contestando as posições previamente defendidas por Clarke, isto é, que Deus e 
                                                           
85
 (Ibid.:49). 
86
 (Ibid.:52). 
87
 (Ibid.:51). 
88
 (Ibid.:52). 
89
 (Ibid.:53). 

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