Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
[62] 
 
mas somente vazio de corpos»
77
, contudo Deus preenche-o e «
possivelmente muitas outras substâncias 
imateriais»
78
. Persistindo em dizer, sem refutar a opinião do seu opositor, que o espaço é 
«
imenso e imutável e eterno»
79
, correspondendo a uma necessária consequência da existência de 
Deus. Subsiste a ideia de uma substância particular, definida exclusivamente no plano 
metafísico (teológico), cujo atributo é o espaço e tempo absoluto. No artº 11-12  a 
indivisibilidade do espaço é defendida nos seguintes termos: o espaço infinito não pode ser 
apreendido na totalidade, o que implica que na «
nossa imaginação ele será concebido como composto 
por partes»
80
, mas essas partes imaginadas são «
indescerníveis e inamovíveis entre si»
81

consequentemente o espaço é absolutamente indivisível. Esta defesa também não é 
claramente convincente. Sem emitir um juízo de valor parece que Clarke-Newton se 
encontra em dificuldades para conseguir salvar o seu espaço absoluto quer como 
necessidade, quer como propriedade.  
A afirmação de Leibnitz, «
dois estados indescerníveis correspondem ao mesmo estado»
63
, feita 
na carta anterior, vai permitir a Clarke,  artº 13, uma contestação onde faz apelo à noção de 
movimento relativo. Aponta que «
movimento e repouso no Universo não são o mesmo estado»
82

exemplificando com a situação de um homem que, colocado no interior da cabina de um 
navio, sem qualquer referência exterior, «
não se pode aperceber quando o navio navega ou não, caso 
se mova uniformemente»
83
. Embora o observador não se aperceba do estado de movimento
situação  de indescernibilidade, este pode encontrar-se em estados diferentes «
e tem efeitos 
reais diferentes»
84
 (imagine-se o que acontecerá perante uma paragem súbita). Clarke pretende 
surpreender Leibnitz com a ideia de que a distinção entre estes dois estados de movimento 
pode fazer-se mediante uma experiência dinâmica; esta experiência permitirá identificar o 
referencial absoluto. É mais um argumento a favor da necessidade do  espaço absoluto. 
Com este exemplo Clarke (ou Newton) começa a preparar o terreno para que o seu 
adversário seja confrontado com a noção dinâmica de referencial baseada no princípio da 
inércia. Clarke chama a terreiro os Principia de Newton, onde , segundo a sua opinião, a 
definição 8 contem várias considerações sobre a diferença entre movimento real e 
movimento relativo. Curiosamente Clarke não cita , da mesma obra, a análise, feita por 
                                                           
77
 (Ibid.:47). 
78
 (Ibid.:47). 
79
 (Ibid.:47). 
80
 (Ibid.:48). 
81
 (Ibid.:48). 
82
 (Ibid.:48). 
83
 (Ibid.:48). 
84
 (Ibid.:48). 

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