Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
[61] 
 
A indescernibilidade leibnitziana é refutada nos artº 3-4 e 5-6, reafirmando-se a 
discernibilidade de corpos idênticos. Clarke escreve «
é verdade que duas folhas e talvez duas gotas 
de leite não sejam exactamente iguais, porque são dois corpos bastante compostos. Mas o caso é muito 
diferente nas partes simples da matéria sólida»
72
. Frisa em seguida que mesmo corpos compostos 
podem ser idênticos, não deixando de representar dois corpos, podendo a sua localização 
não ser a mesma, sendo indiferente a posição que ocupam. Conclusão: indiferença não é o 
mesmo que indescernibilidade. Mais adiante sublinha «
duas coisas podem ser exactamente 
idênticas e não cessarem de ser duas»
73
 como é o caso de duas partes do tempo, todavia «
dois 
pontos de tempo, não são o mesmo, nem são dois nomes do mesmo ponto temporal»
74
. E exemplifica, 
associando o tempo ao movimento : «
tivesse deus criado o mundo neste momento, ele não teria sido 
criado quando foi (...) o universo material deve estar animado do seu movimento próprio, pois nada que é 
finito é imóvel»
75
. Tempo é associado a acontecimentos e entre estes terá que haver uma 
relação de antes-e-depois, existindo por certo um qualquer cronómetro que dá esta relação 
para qualquer acontecimento.  
Como se percebe Clarke rebate os dois princípios basilares em que Leibnitz 
sustenta o seu raciocínio, isto é, não aceitando as hipóteses do seu arguente, salva-se das 
incoerências em que este aparentemente o fechara. A todo o custo foge à armadilha de ter 
de negar a existência do espaço absoluto. 
A reafirmação de que os espaços vazios na natureza não são imaginários, existindo 
efectivamente o vazio, é objecto do artº 7 . A argumentação na defesa do vácuo é feita com 
base, naquilo a que poderíamos chamar, a massa volúmica das diferentes substâncias: (a) 
constata-se que a massa específica das substâncias não está relacionada com a dimensão 
ocupada pelo material; (b) o mercúrio é um fluido como a água, no entanto é dez vezes 
mais pesado que esta; (c) então no mesmo volume tem que existir maior quantidade de 
matéria; (d) logo numa substância terá que haver mais vazio do que na outra. 
Os artº 8, 9 e 10 são reservados à resposta sobre as propriedades do espaço. 
Assim «
o espaço vazio de corpos, é a propriedade de uma  substância incorpórea»
76
, o espaço é, 
portanto, a propriedade (atributo) de uma substância particular. Acrescentando-se que 
«
espaço vazio não é um atributo sem sujeito porque, por espaço vazio, não se pretendia espaço vazio de tudo, 
                                                           
72
 (Ibid.:46). 
73
 (Ibid.:46). 
74
 (Ibid.:46). 
75
 (Ibid.:46). 
76
 (Ibid.:47). 

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