Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
[60] 
 
para que  não existam tais imperfeições na natureza»
68
. Precisando que «
cada sistema particular na 
natureza está ligado á desordem, mas o universo, como um todo não pode diminuir em perfeição»
69
. Esta 
reflexão pode associar-se premonitoriamente a um universo isolado num estado de 
equilíbrio térmico, ou a uma antevisão do comportamento termodinâmico dos vários 
subsistemas pertencentes a um sistema isolado?  
No artº 45 Leibnitz continua a invectivar a teoria da gravidade como sendo «
uma 
coisa sobrenatural que dois corpos se atraiam mutuamente à distância, sem ter nenhum meio como 
intermediário»
70
, insistindo que este efeito não pode ser explicado como una  propriedade dos 
corpos. 
A carta termina com um postscriptum onde o autor se exprime, baseando-se no 
Princípio da Razão Suficiente, contra as teses que defendem a existência de átomos e do 
vazio: porque é que Deus em todo o espaço só colocaria matéria nalguns pontos? porque 
motivo essa mesma entidade criaria a matéria divisível até um ponto em que esta não se 
poderia dividir mais? 
É possível neste momento fazer um pequeno balanço da disputa. Segundo 
Leibnitz, a existência de espaço absoluto conduz a contradições teológicas, logo não há 
qualquer justificação para este conceito. Os pilares filosóficos da argumentação são dois: O 
Princípio da Razão Suficiente, O Princípio da Identidade dos Indescerníveis. Também para 
ele faz sentido a existência de um Princípio da Conservação como grande princípio 
regulador da ordem universal e que se vai manifestando na interpretação dos vários 
fenómenos naturais. 
10.
  Clarke (quarta réplica). A carta anterior do seu opositor iniciara-se com uma 
defesa, ou reafirmação, do Princípio da Razão Suficiente como um dos princípios suporte 
de toda a argumentação metafísica, mostrando que em determinadas situações, indiferença 
de posições, não há razão para escolha. Clarke dedica o seu artº 1-2 a rebater este 
argumento e fá-lo do seguinte modo: «
Seres inteligentes são agentes não passivos (...) possuem poder 
activo para se decidirem perante motivos fortes, outras vezes perante motivos fracos, e outras vezes perante 
corpos que são absolutamente indiferentes»
71
; ou seja, Deus e o Homem possuem a inteligência 
que lhes permite decidir perante situações perfeitamente indiferentes, é aprofundado o 
argumento já aflorado no artº 1 da sua segunda carta.   
                                                           
68
 (Ibid.:42). 
69
 (Ibid.:42). 
70
 (Ibid.:43). 
71
 (Ibid.:45). 

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