Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
[59] 
 
também imutável e eterno em todas as suas partes»
61
 (artº10). Desta última oração Leibnitz retira o 
argumento teológico «
existirão portanto uma infinidade de coisas eternas além de Deus»
62

No artº 11, Leibnitz insurge-se contra a ideia de que o espaço infinito é indivisível, 
escrevendo «
dizer que o espaço infinito não tem partes, é dizer que não é constituído por espaços finitos; e 
que o espaço infinito pode subsistir, embora todos os espaços finitos se reduzam a nada»
63
, concluindo-se 
que os corpos que neles estão mergulhados não teriam dimensões, o que seria uma 
contradição manifesta.  
Os dois parágrafos anteriores resumem os argumento de Leibnitz contra os 
newtonianos e ambos conduzem a fortes contradições teológicas, aparentemente 
insuperáveis, mas que merecerão de Clarke uma contra-argumentação ao nível dos 
pressupostos filosóficos. 
No artº 13 Leibnitz é peremptório «
dois estados indescerníveis correspondem ao mesmo 
estado»
64
, para no artº 18 recusar a indiferença: «
O espaço ser uniforme faz com que não haja uma 
razão interna ou externa para distinguir as suas partes e para fazer uma escolha entre elas. Pois, uma 
razão externa para as discernir só se pode basear numa razão interna. De outro modo deveríamos discernir 
o que é indiscernível, ou escolher sem discernir»
65
; não há estados de indiferença, não se pode 
escolher sem uma razão. No artº 41 reafirma a sua teoria relacional do espaço «
O autor 
afirma que o espaço não depende da posição dos corpos. Eu respondo: é verdade, não depende desta ou 
daquela posição dos corpos; mas é essa ordem que torna os corpos capazes de serem localizados, e pela qual 
tem uma localização entre si quando existem em conjunto»
66
. Deverá, portanto, existir uma 
infinidade de sistemas de referência equivalentes e associados a cada corpo.   
Leibnitz reserva os artº 24 a 29 para insistir no significado do sensorium. No artº 
38, laconicamente, Leibnitz afirma «
aqueles que pensam que as forças activas diminuem por si na 
natureza, não compreendem as principais leis da natureza»
67
, persistindo na defesa da conservação, 
erigindo este princípio como lei natural associada à ordem e perfeição. No artº 40 
fundamenta este princípio na ideia simples de que «
a imperfeição das nossas máquinas, razão pela 
qual necessitam de afinações, deriva de não serem suficientemente dependentes do construtor (...) a 
dependência da natureza em relação a Deus, longe de ser a causa de tal imperfeição, é uma razão suficiente 
                                                           
61
 (Ibid.:37). 
62
 (Ibid.:37). 
63
 (Ibid.:38). 
64
 (Ibid.:38). 
65
 (Ibid.:39). 
66
 (Ibid.:42). 
67
 (Ibid.:42).  

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