Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
[58] 
 
9.
  Leibnitz (quarta réplica). O número de artigos cresce até ao 46, juntando-se-
lhe ainda um Postscript. Esta carta inicia-se com Leibnitz sustentando que perante a 
indiferença absoluta não pode haver escolha, já que,  por definição, «
a escolha tem que ser 
fundamentada numa razão, ou princípio»
53
, logo (art3) «
é indiferente colocar 3 corpos iguais e 
perfeitamente idênticos em qualquer ordem»
54
, pois Deus jamais os colocaria numa ordem 
qualquer porque age sempre com sabedoria e com uma razão. Leibnitz sublinha, como 
núcleo central da sua argumentação, o Princípio da Razão Suficiente, e aplica-se na 
contestação às teses newtonianas. A partir desta carta o debate em torno da filosofia natural 
assume uma maior relevância. 
No artº 4, recusando admitir que na natureza há corpos idênticos,  escreve «
não 
existem dois objectos indescerníveis entre si (...) duas gotas de água ou de leite vistas ao microscópio serão 
discerníveis. Este é um dos argumentos contra os átomos (...) bem como contra o vácuo (...)»
55
. Os alvos 
newtonianos da crítica leibnitziana começam a estar mais claros e nos artigos seguintes o 
conceito de espaço defendido por Clarke-Newton vai estar sujeito a fogo cerrado. 
Entretanto, numa afirmação de princípio, escreve no seu artº 5: «
os grandes princípios 
da razão suficiente e da identidade dos indescerníveis alteraram o estado da metafísica; esta ciência tornou-se 
real e demonstrativa através deles, quando, anteriormente, o seu conteúdo eram palavras vazias»
56
.  
Leibnitz vai procurar demolir a concepção newtoniana do espaço absoluto e 
infinito, provando que o «
espaço vazio é uma coisa imaginária»
57
 (artº7). No artº 8, perante a 
conjectura «
se o espaço é uma propriedade ou atributo, deve ser a propriedade de uma substância»
58

relembre-se a afirmação deste tipo feita por Clarke no artº 3 da carta anterior, interroga-se 
sobre qual a substância, preenchida pelo vazio,  que possuirá esse atributo. No artº 9 
invocando a ideia «
se o espaço infinito é a imensidade, o espaço finito será o oposto»
59
, deverá ser, 
portanto, «
mensurável, limitado em extensão»
60
. Leibnitz, perante a existência do espaço que é 
vazio, possuindo uma qualidade sem sujeito e sendo-lhe atribuída uma dimensão sem ter 
nada no seu interior a que possa estar afectada essa grandeza, conclui que, se o espaço é 
absoluto, ele não deveria ser a propriedade de nada, deveria ter uma realidade superior às 
próprias substâncias, isto é «
Deus não o poderia destruir nem modificar, seria não só imerso, como 
                                                           
53
 (Ibid.:36). 
54
 (Ibid.:36). 
55
 (Ibid.:.36). 
56
 (Ibid.:37). 
57
 (Ibid.:37). 
58
 (Ibid.:37). 
59
 (Ibid.:37). 
60
 (Ibid.:.37). 

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