Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
[57] 
 
indivisível porque, caso contrário,  a ser divisível ter-se-ia «
que o supor dividido e não dividido ao 
mesmo tempo»
48
, o que seria uma contradição. E no artº 5 sublinha que a uniformidade do 
espaço mostra que não existe «
razão para que Deus tenha criado os objectos numa posição em vez de 
noutra»
49
, concluindo interrogativamente: «
será que isto o impede de ter tido uma razão para os 
colocar ali e não noutro lado (...)?»
50
. Esta interrogação condensa um dos resultados 
intermédios, porque a disputa ainda vai, sensivelmente, a meio caminho,  mais importantes: 
a não aceitação por parte de Clarke da aplicação feita por Leibnitz do Princípio da Razão 
Suficiente.   
No artº 4, opondo-se à ideia leibnitziana de ordem de coexistência e de ordem da 
sucessão , é declarado explicitamente «
espaço e tempo são quantidades, posição e ordem não são»
51

Esta afirmação corresponde a dizer que espaço e tempo precisam de uma referencia em 
relação ao qual toda a posição é medida e toda a ordem é cronometrada: é a necessidade de 
um referencial absoluto! Nesta fase da controvérsia já é possível definir as principais 
características newtonianas do espaço real: (a) uniformemente absoluto, conforme já o 
apresentara Leibnitz na carta anterior; (b) todas as suas posições, bem como os seus 
instantes, são distintas, conforme defende nesta carta Clarke; (c) as posições podem ser as 
mesmas, mas são numericamente distinguíveis porque os corpos são diferentes, tal como 
Clarke havia defendido no artº 2. 
A discussão etimológica sobre o sensorium persiste e ocupa o artº 10 . No artº 13 
e 14, Clarke contraria a ideia de conservação  das forças activas avançada por Leibnitz. Em 
primeiro lugar, assumindo esta expressão como equivalente a movimento ou impetus, 
Clarke declara que no universo este tipo de forças diminuem, para, em segundo lugar, 
concluir que este comportamento não representa nenhuma imperfeição, «
não há qualquer 
inconveniência, à desordem e à imperfeição na execução do artífice do universo (...) é uma consequência da 
natureza dos corpos dependentes»
52
. Clarke não aceita um princípio da invariância. 
Tal como Leibnitz rematou a sua carta anterior com uma referência à Teoria da 
Gravitação, também Clarke finaliza esta carta reafirmando esta teoria como lei natural que 
explica o movimento dos planetas em torno do Sol, recusando o epíteto de coisa milagrosa. 
                                                           
48
 (Ibid.:31). 
49
 (Ibid.:32). 
50
 (Ibid.:32). 
51
 (Ibid.:32). 
52
 (Ibid.:34). 

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