Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
[56] 
 
coisa miraculosa, visto que não pode ser explicado pela natureza dos corpos»
43
. Vai-se alargando o 
leque de pontos de discórdia entre os contendores, surgindo em toda a peça novas 
personagens que são velhas desavenças já dirimidas em outras polémicas. 
8.
  Clarke (3réplica). O tom habitual da controvérsia vai manter-se: Robert Clarke 
responderá, artigo por artigo, a Leibnitz, mantendo a sua postura de invariável contenção 
verbal. As principais questões de filosofia natural em disputa já saltaram dos bastidores 
para a ribalta da polémica, são, no entanto, os pressupostos metafísicos que vão absorver as 
principais atenções dos polemistas.  
Logo de início, no artº 2, Clarke reafirma o Princípio da Razão Suficiente
persistindo na admissão da situação de indiferença, mostrando que ela não contraria este 
princípio. «
Por sua vontade Deus pode criar ou colocar uma partícula num lugar em vez de noutro, 
embora as suas posições sejam iguais. E o caso é igual, mesmo que o espaço não fosse real, mas fosse 
unicamente uma relação de ordem entre os corpos: pois, ainda assim seria absolutamente indiferente, não 
podendo haver nenhuma outra razão, a não ser o mero desejo, pelo qual três partículas deverão ser colocadas 
segundo a ordem a, b e c em vez da ordem contrária. E, portanto, nenhuma argumentação pode ser retirada 
desta indiferença de todas as posições, para provar que o espaço não é real. Pois diferentes espaços são 
realmente diferentes ou distintos uns dos outros, embora sejam perfeitamente iguais»
44
; Clarke conclui 
que da indiferença não é possível extrair a indescernibilidade Leibnitziana. Adiantando que 
«
há um absurdo evidente em supor que o espaço não é real e se reduz a uma mera ordem de posição dos 
corpos, pois (...) se a Terra, o Sol e a Lua forem colocados onde se situa  a mais remota das estrelas 
(garantindo que são colocados na mesma ordem e à distância entre si em que agora se encontram) não seria 
de facto a mesma coisa»
45
.  Para Clarke as posições podem ser as mesmas, mas são 
numericamente distinguíveis, princípio negado por Leibnitz, de tal modo que colocar os 
corpos a, b e c segundo esta ordem, ou optando por ç b e a, é indiferente mas é 
distinguível. A necessidade de distinção exigirá um ponto de referência que garanta a 
execução desta operação.  
No artº 3, Clarke, defendendo o espaço absoluto, define melhor os contornos 
deste conceito como «
uma propriedade, ou a consequência da existência de um ser infinito e eterno»
46
 
onde «
espaço infinito é um, absolutamente e na essência indivisível»
47
. O espaço terá que ser 
                                                           
43
 (Ibid.:30). 
44
 (Ibid.:30). 
45
 (Ibid.:31). 
46
 (Ibid.:31). 
47
 (Ibid.:31). 

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