Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
[55] 
 
colocasse doutra forma, «
trocando o Oriente com o Ocidente»
38
, os dois estados «
seriam 
absolutamente indescerníveis»
39
; logo (d) não haverá motivo «
para indagar qual a razão de preferência 
por uma ou outra»
40
  situação, o que contradiz o Princípio da Razão Suficiente; todavia (e) 
como  este princípio é verdadeiro, então será falsa a hipótese donde partimos; finalmente, 
(f) a conclusão, não existe um espaço absoluto.  
Deste modo Leibnitz refuta toda a argumentação sustentada por Clarke no artº 1 
da carta anterior, mantendo a sua teoria relacional do espaço. No artº 6 defende a mesma 
teoria aplicada ao tempo. Se, anteriormente, carta precedente de Clarke, sublinhámos o 
termo indiferença, agora perante a mesma situação sublinhamos o termo indiscernível, tem 
sentido dizer-se «
doravante, a indescernibilidade ficará no centro do debate, como se representasse uma 
dramatização da indiferença... em vez da simples localização arbitrária de duas partículas, são-nos agora 
avançados dois estados do Universo»
41
.  
No artº 10, retoma-se, invocando obras de outros autores,  o significado do termo 
sensorium. 
O carácter da intervenção divina na natureza é objecto da atenção de Leibnitz no 
artº 13. A argumentação, no sentido de exemplificar o tipo de actuação divina, consiste, 
mais uma vez, em reafirmar e necessidade de invariância: «
se a força activa diminuir no universo, 
devido às leis naturais estabelecidas por Deus, assim ele deverá actuar no sentido de restaurar aquela força, 
tal como um artista burilando as imperfeições da sua obra, a desordem não está de acordo connosco, como 
não está de acordo com Deus. Ele deve tê-la evitado e tomado medidas para evitar tais inconveniências 
(...)»
42
.  Há aqui uma referência clara à ordem, à constância, a qualquer coisa que se tem que 
conservar, como forma de preservar a natureza do caos e da desordem. É  uma referência 
implícita a um Princípio de Conservação que pela designação usada, força activa, vis viva, 
poderá ser tomado como o  da Energia. Nos artigos seguintes prossegue a disputa sobre o 
carácter da intervenção divina na natureza, a diferença entre acção natural e  sobrenatural, 
rematando-se a carta com uma referência à Teoria da Gravitação de Newton: «
Se Deus faz 
com que um corpo se mova livremente no éter em torno de um determinado centro fixo, sem que nenhuma 
outra criatura actue sobre ele; eu diria que isto não pode ser feito se não for um milagre, já que não pode ser 
explicado pela natureza dos corpos (...) mantenho que a atracção dos corpos, o que assim é chamado, é uma 
                                                           
38
 (Ibid.:26). 
39
 (Ibid.:26). 
40
 (Ibid.:26). 
41
 (Gil, 1986: 182). 
42
 (Alexander, 1976: 29). 

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