Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
[54] 
 
Eis uma ideia interessante da Física Newtoniana, o espaço absoluto existe para além dos 
próprios corpos, e que será fortemente contestada por Leibnitz. 
Nos artigos 5 a 12, discutem-se os atributos de Deus, em particular a sua 
intervenção na Natureza, chamando-se à colação alguns argumentos de forte peso 
newtoniano: «
Provocar o Sol (ou a Terra) no sentido de se mover regularmente, é uma coisa que 
denominaremos de natural; parar este movimento por um dia, chamar-lhe-iamos supernatural»
30
. E esta 
naturalidade newtoniana da força central entre o Sol e os planetas, será o motivo para 
Leibnitz lançar algumas diatribes contra a força gravítica, chegando a afirmar que esta 
invenção de Sir Isaac constitui o paradigma da intervenção milagrosa de Deus na natureza. 
7.
  Leibnitz (terceira réplica). A polémica aumenta em extensão, passando agora a 
desenvolver-se em dezassete artigos. Nesta carta o problema do espaço começa a destacar-
se fortemente em relação a todos  os assuntos de filosofia natural que estão sob disputa. A 
este problema são dedicados os artº 3, 4 e 5. 
O início desta quinta peça, no conjunto de toda a polémica, inicia-se com um tom 
fortemente jocoso evidenciado pelo filósofo alemão ao afirmar que não basta o outro autor 
estar de acordo com o Princípio da Razão Suficiente, pois (art2) «
admite-o em palavras, mas 
nega-o na realidade»
31
. No artº 4 Leibnitz sublinha «
já disse mais do que uma vez que sustento que o 
espaço é qualquer coisa de relativo, tal como o tempo; sustento que ele é a medida da ordem de coexistência, 
tal como o tempo é a ordem da sucessão»
32
. No artº 5 é lapidar, «
possuo muitas demonstrações para 
refutar a fantasia daqueles que tomam o espaço como uma substância, ou pelo menos, como um ser 
absoluto»
33
, acrescentando que vai utilizar unicamente uma demonstração para provar a não 
existência deste ente. O princípio utilizado nesta demonstração baseia-se «
no carácter 
axiomático do Princípio da Razão suficiente»
34
, os passos principais do seu raciocínio são os 
seguintes:  (a) se, por hipótese, existe um espaço absoluto, «
qualquer coisa absolutamente 
uniforme e sem objectos colocados nele»
35
, um espaço onde «
um seu ponto em nada difere de um outro 
ponto desse espaço»
36
;  então (b) «
deverá haver uma razão, pela qual Deus, preservando a distância entre 
os corpos, os colocou de uma determinada forma no espaço e não de outra forma»
37
; mas (c) se tudo se 
                                                           
30
 (Ibid.:24). 
31
 (Ibid.:.25). 
32
 (Ibid.:25). 
33
 (Ibid.:26). 
34
 (Gil, 1986: 181). 
35
 (Alexander, 1976: 26). 
36
 (Ibid.:26). 
37
 (Ibid.:26). 

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