Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
[53] 
 
6.
  Clarke (segunda réplica). Clarke escreve a sua carta em doze  artigos, onde em 
cada um deles responde às objecções apontadas nos artigos homónimos de Leibnitz. Esta 
será invariavelmente uma das características desta controvérsia: as réplicas de Clarke são 
constituídas, sempre pelo mesmo número de artigos da réplica anterior de Leibnitz; 
disciplinadamente, o discípulo de Newton procura rebater os novos pontos polémicos 
levantados pelo seu opositor. Se Leibnitz é o questionador, o homem que impiedosamente 
joga ao ataque, procurando desesperadamente atingir o adversário, Clarke limita-se, sem 
grandes rasgos, mas de forma eficiente, a organizar uma bem escalonada defesa perante as 
investidas do adversário, evitando claramente levantar novas questões. Clarke não ataca o 
sistema proposto por Leibnitz, defende ardorosamente a fortaleza de Newton, coíbe de 
lançar para a polémica novas achas que façam crepitar de uma forma mais viva o debate de 
ideias. 
No artº 1 Clarke aceita o Princípio da Razão Suficiente apresentado por Leibnitz 
e, estribando-se nele, coloca o seguinte problema: «
porque é que um determinado sistema material 
foi criado numa posição particular, e outro em outra posição particular; quando (todas as posições seriam 
absolutamente indiferentes para qualquer sistema material), seria exactamente o mesmo vice-versa, supondo 
dois sistemas (ou partículas) materiais idênticos»
27
, acabando por responder que a única razão para 
que isso aconteça «
é a vontade de Deus»
28
. Sublinhe-se o termo indiferença, enquanto 
impossibilidade de escolher entre duas situações idênticas. Clarke defende deste modo que 
nem sempre a razão é suficiente para efectuar a escolha: há em determinadas situações a 
possibilidade de uma opção livre e não determinada por qualquer critério de racionalidade 
absoluto. 
No artº 3, replica em 5 linhas (Leibnitz tinha escrito quatro) sobre a questão se o 
sensorium é ou não o órgão das sensações, reiterando a argumentação da carta anterior, e 
juntando: «
Sir Isaac Newton não diz que o espaço é o órgão das sensações, mas, somente de forma 
analógica, como se fosse o órgão das sensações»
29

É no artigo 4, sobre a natureza indivisível da alma, que se afirma a natureza 
indivisível do espaço, finito ou infinito, recorrendo-se, em nota, a uma citação dos 
Principia. O objectivo é claramente refutar essa ideia de que o corpo possa estar fora do 
espaço ou, por outras palavras, o espaço está por todo o lado, mesmo onde não haja corpo. 
                                                           
27
 (Ibid.:20). 
28
 (Ibid.:21). 
29
 (Ibid.:21). 

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