Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
[52] 
 
possibilidade de deus exercer a sua sabedoria e o seu poder»
22
, logo não haveria necessidade de haver 
vazio.  
No artº 3 dedicam-se quatro magras linhas ao problema inicial, o sensorium de 
Deus. Diz o filósofo alemão que encontrou esta expressão referida no Apêndice da Óptica 
de Newton e que lhe parece que este termo «
sempre significou órgão dos sentidos»
23
, se Newton e 
o seus seguidores pretendem dar-lhe um outro significado, ele (Leibnitz) aceita-o. Quanto  
a este motivo de discussão, o significado etimológico de sensorium, ele irá perdendo 
importância, dando lugar à discussão dos conceitos que a própria polémica vai 
encarregando-se de suscitar.  
No artº 4 Leibnitz refere-se ao espaço  de Newton nos seguintes termos: «
Espaço, 
de acordo com Sir Isaac Newton, está intimamente presente no corpo que está nele contido, e é comensurável 
com ele. Donde se segue, portanto, que o espaço percepciona o que se passa no corpo; e relembra-lo-á quando 
o corpo já se tiver ido?»
24
. A argumentação leibnitziana conduz inevitavelmente à pergunta: terá 
sentido o espaço (Newtoniano) sem o corpo? 
Os artigos 5 a 11 constituem um ataque aos pontos de vista de Clarke, expressos 
no artigo 4 da sua epístola anterior, sobre «
a intervenção de Deus e do homem na natureza»
25
, bem 
como sobre o papel desempenhado pela divindade no movimento de todo o Universo. 
Concluindo no artº 12: «
se Deus é obrigado a intervir no curso da natureza de tempos a tempos, deve 
fazê-lo supernaturalmente ou naturalmente. Se o fizer supernaturalmente recorre a milagres no sentido de 
explicar a ordem natural das coisas: o que recorrendo ad absurdam: tudo pode ser explicado por milagres. 
Mas se actuar naturalmente, Deus não seria a intelligentia supra-mundane: ele será compreendido como 
estando dentro da natureza das coisas, isto é será a alma do Universo»
26
. Para Leibnitz deverá existir 
uma forma, um princípio explicativo e enformador segundo o qual Deus intervirá 
naturalmente na ordem do Universo.   
Nesta segunda carta de Leibnitz o problema do espaço surge já  de uma forma 
explícita, apto a entrar, como primeira figura, no palco do debate, surgindo também, 
embora nos bastidores, uma outra personagem   secundária, o problema da existência de 
vazio! 
                                                           
22
 (Ibid.:16). 
23
 (Ibid.:17). 
24
 (Ibid..:17). 
25
 (Ibid.:18). 
26
 (Ibid.:.20). 

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