Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
[51] 
 
supra-mundane) na realidade a excluir a providência e o governo de Deus da natureza»
18
. Sem se referir 
à invariância da força e vigor, referidos na carta anterior, está aqui exposto a sua não 
aceitação de um qualquer princípio de conservação como causa explicadora do movimento 
no universo. Clarke implicitamente defende a existência de forças originais responsáveis 
pelo movimento, sem se preocupar com a explicação da origem dessas mesmas forças. 
5.
  Leibnitz (segunda carta). Na primeira réplica de Leibnitz a Clarke os quatro 
artigos anteriores são desenvolvidos em doze, alargando-se os pontos controversos da 
polémica.  Os dois problemas iniciais, o sensorium e a inteligência supra-mundane, vão 
suscitar «
o núcleo duro da controvérsia: a natureza do espaço»
19
, desenvolvendo-se a maior parte 
dos argumentos em torno de dois princípios metafísicos fundamentais: o Princípio da 
Razão Suficiente e o Princípio da Identidade dos Indiscerníveis. A partir de agora o próprio 
evoluir da controvérsia, embora de uma forma paralela, levantará outros pontos polémicos 
em relação a diversos conceitos empregues na filosofia natural, e.g., átomos, vazio, atracção 
gravítica...  
No artº 1, Leibnitz lança o princípio base de toda a sua argumentação futura, o 
Princípio da Razão Suficiente, «
o grande fundamento da matemática reside no princípio da 
contradição, ou identidade, isto é, uma proposição não pode ser verdadeira e falsa ao mesmo tempo (...) para 
passar da matemática para a filosofia natural, um outro princípio é requerido (...) o princípio da razão 
suficiente, isto é, nada acontece sem uma razão para que deva ser assim e não de outro modo»
20
. É a 
sustentação de que qualquer tese de filosofia natural não pode basear-se exclusivamente 
nos princípios matemáticos, sob pretexto de se assumir uma posição materialista. Leibnitz 
filosoficamente reendossa para Clarke, ou Newton, o epíteto de materialista... 
No artigo seguinte, Leibnitz, sem desenvolver qualquer argumentação com base 
na filosofia natural, manifesta-se contra a existência de espaço vazio entre a matéria em 
todo o Universo, sendo peremptório «
mantenho que não existe de todo o vácuo»
21
. Esgrime este 
argumento no sentido de mostrar a incongruência que resulta do uso de princípios 
matemáticos, em vez de princípios metafísicos, na compreensão da Natureza. Exibindo 
como seu único argumento que no Universo «
quanto mais matéria existisse, maior seria a 
                                                           
18
 (Ibid.:14). 
19
 (Gil, 1986: 179). 
20
 (Alexander, 1976:15). 
21
 (Ibid.: 16). 

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