Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
[50] 
 
inconsiderável do universo»
11
. Esta afirmação vai obrigar, como se verá na réplica seguinte de 
Leibnitz, a que a discussão também se debruce sobre um outro problema de filosofia 
natural: a existência de vazio.   
No artº 3 o autor contesta a frase de Leibnitz, «
o espaço é o órgão de Deus para a 
percepção das coisas»
12
, afirmando que não é esta a ideia que Newton pretende transmitir
negando, portanto, «
que Deus tenha necessidade de qualquer meio para percepcionar as coisas; bem pelo 
contrário, sendo omnipresente, percepciona as coisas pela sua própria presença, em qualquer ponto do espaço 
onde se encontrem, sem a intervenção de qualquer órgão ou meio, qualquer que seja»
13
.  Acrescenta que a 
intenção de Newton era apresentar uma analogia para tornar mais claro o conceito exposto
«
tal como o pensamento humano, através do aparecimento imediato de figuras e de imagens das coisas, 
formadas no seu cérebro através dos órgãos dos sentidos, vê essas figuras como se fossem os próprios objectos; 
também Deus percepciona as coisas através da sua própria presença perante elas(...) E no universo ele não 
vê as coisas como se fossem figuras, mas como objectos reais feitos pelo próprio Deus, em qualquer lugar 
onde se encontrem, sem a intervenção de qualquer meio»
14
. A imagem apresentada corresponde à 
ilustração do conceito de espaço infinito como sendo o sensorium, órgão dos sentidos, do 
ser omnipresente e que Robert Clarke justifica como uma imagem baseada na teoria da 
percepção do homem. 
No artigo seguinte, artº 4, Clarke responde aos reparos de Leibnitz sobre o 
carácter da intervenção de Deus no movimento desse mecanismo complexo que é a 
natureza. Se no que diz respeito ao engenho do artífice, ele «
consiste em compor, ajustar, juntar 
certos movimentos, cujos causadores são independentes do artesão, tais como pesos, molas, ou similares»
15
, já 
no que concerne a Deus a situação é diferente, «
ele não só compõe ou junta os objectos, mas é ele 
próprio o autor e continuo vigilante das forças originais e da sua capacidade de movimento»
16
; concluindo 
que esta é a sua, de Deus, glória de artífice, pois «
nada é feito sem o seu continuo governo e 
inspecção»
17
.  O discípulo de Newton devolve a Leibnitz, de uma forma bastante arguta, a 
acusação de materialista, escrevendo: «
a noção de que o mundo é uma grande máquina que marcha 
sem a intervenção de Deus, tal como o mecanismo do relógio se movimenta sem a assistência do relojoeiro, 
corresponde à noção de materialismo e destina-se, tende (sob a pretensão de fazer de Deus a inteligência 
                                                           
11
 (Ibid.:12). 
12
 (Ibid.:12). 
13
 (Ibid.:13). 
14
 (Ibid.:13). 
15
 (Ibid.:13).. 
16
 (Ibid.:14).. 
17
 (Ibid.:14). 

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