Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
[5] 
 
extremamente grandes para, em seguida e naturalmente, se encurtarem cada vez 
mais (…)»
15
.  
Enaltecia-se aqui  importância do trabalho do «historiador», do compilador de 
memórias, que a morte impediu que concluísse  o seu projecto. Um projecto que, mais 
tarde, será retomado e levado a bom termo por Jean-Étienne Montucla (1725-1799) com a 
Histoire des  Mathématiques, cujo primeiro tomo apareceu em 1758. O exemplo de Montucla  
foi seguido por Alexandre Savérien  (1720-1805) que, ao longo de vinte anos, de 1760 a 
1780,  escreveu sobre a história de todas as ciências e de todos os sábios, dos metafísicos 
aos químicos e «cosmologistas»
16
. Um outro académico francês, Jean Sylvain Bailly (1736-
1793), elaborou a 
Histoire de l’Astronomie Ancienne  que  apareceu a público em 1775 e foi 
reeditada em 1781 para, no ano seguinte,  em 1782, ser completada com a 
Histoire de 
l’Astronomie Moderne. Destas, a primeira «história» percorre um período que termina com o 
estabelecimento da escola de Alexandria, enquanto que a segunda, iniciando-se aí,  termina 
em 1780.  
Muitas obras científicas escritas no século XVIII, abordando novos e velhos 
temas, são, por vezes, acompanhadas de interessantes introduções de carácter histórico ou, 
em outras situações, optam claramente pela exposição histórico-cronológica  da disciplina 
em causa. O primeiro caso pode ser ilustrado pela 
Mécanique Analytique  de  Joseph Louis 
Lagrange (1736-1813) que, nesta obra seminal para a mecânica racional, apresenta duas 
introduções históricas relativamente desenvolvidas, uma sobre a estática e outra dedicada à 
dinâmica. É uma exposição sobre a marcha temporal das grandes questões enfrentadas por 
esta disciplina, traduzindo o ponto de vista do seu autor,  no que diz respeito ao papel 
desempenhado por outros autores em outras épocas, e, sobretudo, justificando aquilo que 
o prório Lagrange se propõe apresentar como novidade. O segundo caso pode ser ilustrado 
pelos trabalhos, na Inglaterra do século XVIII, de John Priestley (1733-1804), o químico 
cujos trabalhos terão contribuído para o isolamento do oxigénio, que, ao debruçar-se em 
1767, sob influência dos trabalhos de Franklin, sobre a electricidade e, uns anos depois, 
sobre a óptica, opta pela exposição histórica destes conhecimentos para falar da ciência do 
seu tempo,  publicando  
The History and Present state of electricity e cinco anos depois, em 1772, 
                                                           
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 «Il travaillait depuis un temps à l’histoire de la géométrie. Chaque science, chaque art devrait avoir la sienne. 
Il est très agréable, et ce plaisir renferme beaucoup d’instruction, de voir la route que l’esprit humain a ténue 
et, pour parler géométriquement, cette espèce de progression , dont les intervalles sont d’abord extrêmement 
grands , et vont ensuite naturellement en se serrant  toujours de plus en plus (…)» 
In (GUSDORF, 1988: 58). 
16
 (DAUMAS, 1966: 15). 

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