Ciencias (História das)


História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)



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História e Filosofia da Ciência (colectânea de textos)                    
                                                
[49] 
 
estranha opinião que Sir Isaac  e os seus prosélitos têm acerca do papel da intervenção de 
Deus na natureza: «
De acordo com a sua doutrina [de Sir Isaac] Deus todo poderoso terá que, de 
tempos em tempos, dar corda ao seu relógio, caso contrário este deixar-se-á de mover»
8
. Leibnitz queda-se 
incrédulo com  esta incapacidade de atribuir a Deus a capacidade de gerar o movimento 
permanente, pois «
de acordo com estes senhores o mecanismo criado por Deus é tão imperfeito»
9
 como 
o de qualquer relógio saído das mãos do mais humano dos artesãos. Leibnitz, no sentido de 
fundamentar esta sua incredulidade, sustenta a opinião de que «
a mesma força e vigor sempre 
existiram no mundo, transferindo-se unicamente de uma parte para outra da matéria, felizmente para as 
leis da natureza e para a magnífica ordem pré-estabelecida»
10
. Precisando, a finalizar este Artigo, que 
quando Deus opera milagres, não o faz no sentido de suprir as necessidades da natureza, 
mas as da graça. Para Leibnitz não é através dos milagres que Deus acciona o mecanismo 
da Natureza. A intervenção de Deus no movimento de toda a engrenagem que foi 
concebida e criada por si, o estabelecimento de um princípio geral explicador de todo o 
movimento, constitui o segundo ponto base de toda a polémica. É importante sublinhar 
uma ideia  patente na argumentação leibnitziana, e que estará presente em todas as peças da 
polémica, a necessidade da conservação da força e vigor. Sem grande rigor interpretativo e 
exegético esta expressão pode entender-se como o princípio da conservação da vis viva. Se 
o problema do espaço absoluto é a grande questão polémica que a troca de 
correspondência se vai encarregar de fazer surgir, a existência de um princípio de 
conservação revelar-se-á um outro ponto de divergência e, como tal, merecedor de muitas 
linhas ao longo de toda a troca de cartas. 
4.
  Clarke (primeira réplica). Clarke replica com uma carta também em quatro 
artigos, respondendo em cada um deles às objecções apontadas nos artigos homónimos de 
Leibnitz.  
Retorquindo ao primeiro artigo de Leibnitz, Clarke invoca os princípios 
matemáticos da filosofia como sendo perfeitamente repugnantes à filosofia dos 
materialistas, deixando passar a mensagem de que as ideias newtonianas assentam 
claramente na aplicação destes princípios à filosofia natural.  Deste modo rejeita a acusação 
que lhe fora endereçada por Leibnitz. Reforça esta rejeição sublinhando que estes 
princípios matemáticos «
e só eles provam que a matéria e os corpos constituem a parte mais pequena e 
                                                           
8
  (Ibid.:11) 
9
   (Ibid.:11). 
10
  (Ibid.:12). 

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